terça-feira, 3 de agosto de 2010

A escola americana

Nem faz tanto tempo assim que saí do colégio. Lembro-me ainda de uma série de coisas dos meus tempos de aluno pouco comportado e muito comunicativo. Não lembro-me só do que eu fazia, lembro-me do que outros faziam e vez que outra me vem a memória coisas que marcaram minha passagem de muitos anos pelo Colégio Estadual Santos Dumont, onde estudei.

Não pouco efusivo que sempre fui, acabei por inúmeras vezes, diria que milhares, sendo repreendido por professores ferozes com seus apagadores empunhados, direcionando a mim o dedo em riste, e punindo-me com injúrias debeis, as quais em determinadas situações eu não conseguia defender-me. Outra vezes, porém, eu defendia-me e me saia tão bem que quem ficava com a voz embargada eram os professores. Mas que fique claro que eu nunca fui a voz ativa, apenas defendia-me. Professores são nervosos quando querem.

Os tempos de escola me despertam saudosismo, um dos muitos minutos de nostalgia que tenho, remetem-me a eles, quando posso afirmar que eu era feliz. Muito feliz, por sinal. Dos amigos tenho saudade e até de algumas matérias e outros professores que não os que me ameaçavam com sua arma característica, um ataque de apagador.
O que percebo atualmente é que não aproveitei os meus tempos de estudo aprazivelmente.

Livrei-me do conhecimento adquirido assim que saí da escola e despejei-no em um frasquinho vazio que tinha e resolvi que dali pra frente só alguma universidade me traria o conhecimento definitivo. Me arrependi.
Universidades até nos trazem conhecimento, se não fosse a estimada professora Evely, de Redação II e III, possivelmente eu nem estaria escrevendo esse texto. Ali aprendi a esmiuçar-me em um português um pouco mais rebuscado, ainda que -por culpa minha – não seja um belo português. E com a querida Evely aprendi a montar parágrafos corretos, esquecendo os rodeios e as enrolações. Aprendi a manter o foco em um assunto e não mudá-lo mesmo que minha mãe seja ameaçada.

Sim, de fato aprendi isso tudo com a Evely, aprendi mas não uso. Não uso e nesse texto mesmo não usarei, por que o assunto que tenho a falar é outro, e até aqui só enrolei, fiz rodeios e agora vou mudar o foco. Me desculpa Evely.

O fato é que da época do colégio me lembro de alguns malandrinhos que aproveitavam-se dos menores para conseguir coisas. Em inúmeros casos aproveitavam-se para safanar umas moedinhas, ou tomar-lhes o enroladinho de salsicha que tinham na mão. Sempre foi assim, maiores aproveitando-se dos menores. Hoje em dia isso é bullying, há cinco anos era safadeza.

Fato é que nada diferente disso faz o Tio Sam. Desde que tornou-se um poderoso país, os Estados Unidos da América usurpam dos menores, praticando bullying com os vietnamitas, com os iraquianos, com os afegãos, com os coreanos... como metade do mundo. Tudo começou com os infelizes pele vermelha, que tal qual no Brasil, é bom que se diga, foram excomungados de sua própria terra.

Petróleo, armas de destruição em massa,...resumidamente o poder. Sim, isso vale mais que moedinhas ou um enroladinho de salsicha, mas mesmo assim é exploração aos menores. Os Estados Unidos da América estupram terras cujos donos são mais vulneráveis. Digo mais, os Estados Unidos da América são sempre o professor com o apagador em punho, preparado para ameaçar o aluno. Vez que outra encontra resistências como a de Sadam Hussein, como a minha resistências no colégio. Ambos, Sadam e eu nos demos mal, ele na forca e eu, na maioria das vezes, na direção do colégio. O que fica de importante é que no fim das contas, dizem os jornais que as tropas americanas reduzirão em 20mil seu número no solo iraquiano, mas ainda assim permanecerão lá 50mil homens como segurança.

Quiçá os 50 mil homens que lá ficarão serão apenas os responsáveis pela ordem, por ouvir a voz do povo, por responder pelos anseios daquela gente. Pensando bem, quiçá os 50mil homens sejam o grêmio estudantil iraquiano.

6 comentários:

Marco Henrique Strauss disse...

Quanto ao conhecimento posto num frasco e esquecido, também tenho isso; me arrependo profundamente - às vezes - por não ter aproveitado melhor o conhecimento que me era ofertado. Entrando no teu assunto principal, é óbvio que os Estados Unidos são os repressores, porém cabe aos repreendidos tratarem de se libertarem. Seria quase que o caso de cada país ter o presidente que merece, se é que tu me entende. O povo tem o destino que lhe é de direito. Não há de se pensar que um povo necessita da "felicidade", se pela "felicidade" não faz nada; tão óbvio também é que não concordo com essas invasões estadunidenses, entretanto se o conformismo do povo se faz presente, nada eu posso fazer. Há grande parte, certamente, que luta diariamente contra esse "regime" imposto, entretanto precisam tomar parte do que lhes é de direito. É fato que os contra-pontos jamais findarão; por mais que digam que o 'mundo bipolar' tenha acabado, e um 'multipolar' esteja em vigor no momento, eu não acredito na afirmação; acredito que sempre existirão dois lados, contudo existirão algumas bifurcações nos pensamentos de um quanto de outro, o que dá uma impressão errada de infindáveis tipos de se pensar. Divergências sempre existirão; sempre teremos alguém querendo surrupiar o que não lhe é de direito e cabe aos verdadeiros 'donos' defenderem aquilo que lhe serve, unindo o máximo de forças possíveis, mas sem perder a razão 'gritando'. Só acho errado reclamar sem tomar partido de mudar. É sim errado o que os Estados Unidos faz e continua fazendo, porém até onde é certo o que os outros países fazem? Acho complicado tomar frente de um lado.
Por fim: bom texto, por mais que poste pouco, quando posta sempre vem algo bom.
Abraço

Ricardo Bertolucci Reginato disse...

Grande Marcão, sempre por aqui.
Penso que é a exata questão dos repressores e reprmidos. Claro que o povo Iraquiano, digamos, deveria lutar, porém, é o caso de que em seu comando houve por dezenas de ano um ditador egocêntrico e megalomanícao (Hussein), que em nada contribuiu para as bases Iraquianas. Seria como uma batalha de Dom Quixote contra o gigante (moinho de vento), seriam pequenos contra gigantes e ai coube a resignação.

Vietnã por exemplo não resignou-se a venceu uma guerra contra o todo poderoso tio sam.
Acredito que a revolta contra o que nos é imposto é necessária, infelizmente não a fazemos. :S

Valeu pelo comentário.
Abração

Michele P. disse...

Eu, como defensora dos profissionais citados no início deste texto (rsrs) digo que lhe foram muito úteis os ensinamentos da Evely.

Abraço colega!

Ricardo Bertolucci Reginato disse...

Agradeço-te, Michele! Ou a Evely?
aushahsuah

Chapolin TV disse...

Eu, assim como tu, aprendi muita coisa com a Estimada Evely. Neste semestre estou cursando redação III, e sou o "preferido" dela. hahaha. Fato é que tens toda a razão em teu texto - por sinal muito bem escrito e direcionado - mas, como comentou noss querido Marco, pouco fazemos - nós reprimidos - para mudar esta situação. Fato é que tu e a Evely são foda, brother.

Parabens!

P.S. Chapolin Tv = Fredi Bazzan = Eu.

Ricardo Bertolucci Reginato disse...

Meu querido amigo, Fredi!
Agradeço-te pelo comentário. És sempre muito bem vindo por aqui.
E quando refiro-me à escola, pode ter certeza que tu é um dos que a presença diária faz muita falta.

Abraço