domingo, 18 de novembro de 2012

Amarelo






Quando ele acordou não tinha bem certeza de onde estava. Não lembrava de nada da noite anterior e a única certeza que tinha era de que tinha bebido mais do que em toda sua vida. Seu corpo doía e teve até receio de que pudesse ter levado uma considerável surra há poucas horas, ou de algum bruto selvagem ou de alguns copos de uísque.

Com alguma dificuldade levantou-se da cama e deu-se conta de que estava em um motel barato no centro da cidade. Com quem dormira ali? Sentou-se na cama e sua bunda não doía, o que lhe trazia um certo conforto. Sem muito esforço pegou uma garrafa d'água que estava no criado mudo ao lado da cama. Até aquela água tinha um gosto pútrido que o remetia ao álcool. Ali fizera a promessa de que jamais voltaria a beber – pela décima quinta vez.
Levantou-se e foi até o banheiro lavar o rosto e esvaziar a bexiga que o estava atordoando. Depois de feita sua necessidade, encaminhou-se à pia e só então viu o que deveria estar claro desde que acordou, estava amarelo. PUTA QUE PARIU, estava amarelo.
Que diabos de doença era aquela? Amarelão, hepatite, estava ficando japonês? Que merda era aquela?
Puxou no fundo da memória e nada, não conseguia lembrar o que acontecera na noite anterior, mas era inegável que o que quer que tivesse acontecido era o responsável por lhe deixar estupidamente amarelo.
Bom, fosse o que fosse, precisava achar um médico. Resolveu que não iria sequer lavar o rosto que vai que aquilo piorasse. Olhou para as mãos e adivinha só? Amarelas. Os pés? Amarelos. Todo amarelo, até as bolas.

Como não encontrou suas roupas, vestiu-se com um roupão esfarrapado do motel, pegara sua carteira e foi-se em busca de um desgraçado de um médico.

Continua.