quarta-feira, 27 de junho de 2012

A Culpa é da Física


É por isso que eu gosto de história. Há para tudo, ao longo da história, uma explicação ou uma fundamentação. Como a história já nos contou, por exemplo, havia, certa feita, uma tribo germânica que varou o império romano, saqueando a maior potência mundial daqueles tempos. Era famosa aquela tribo e eu quase consigo imaginar aqueles polacos enormes destruindo coisas, incendiando casas, saqueando lugares e estuprando inocentes italianinhas. Outra coisa absurda, que jamais pode-se imaginar, é que esses germanos ensandecidos destruíram obras primas romanas, e é possível que tenham privado a humanidade de maravilhas sem igual. Sabe o nome dessa tribo? Vândalos.

Entende agora, né? É por isso que chamamos de vândalos aqueles que sem qualquer pensamento racional destroem coisas, sejam elas públicas ou privadas. É uma póstuma homenagem prestada aqueles alemães bárbaros.

Como eu vinha falando, a história nos apresenta uma fundamentação para o nome vândalo, porém, não consegue justificar atos esdrúxulos como esse de botar fogo na decoração do Natal Luz de Gramado e por conseguinte em um dos pavilhões do ExpoGramado. Por sinal, eu duvido que haja uma mente gramadense sequer que não esteja tentando entender o por que desse ato absurdo contra o maior evento natalino que o Brasil já viu, e que gera lucros para 80 por cento da comunidade.
Eu sou um desses tantos gramadenses que tenta entender, tenta com todas as forças colocar-se no lugar daquelas três crianças, que “brincavam” com tíner e fósforos. E foi assim que cheguei a uma conclusão lógica: a escola é responsável por esse incêndio. Digo mais, o responsável verdadeiro por esse incêndio desolador é o professor de química desses três jovens. Ele não os ensinou que há uma reação entre tíner e fósforo, chamada de combustão.

Pobre professor, esqueceu-se de explicar para os imaculados jovens o que é a combustão, mas é difícil condená-lo, é dura a vida do mestre, afinal de contas, estamos vivendo numa época tão selvagem, uma época na qual ouve-se que alunos agrediram professoras, que alunos balearam professoras, que alunos ofenderam, cuspiram, pisaram e humilharam professoras e professores. Deve ser difícil dar aulas hoje em dia, e ganhar a fortuna de R$1,4 mil mensais. E tu sabe por que é tão difícil para o professor dar aulas atualmente? Por causa da globalização.

Não fosse a globalização, os pais estariam mais presentes na vida de seus filhos, não fosse a globalização, os filhos receberiam mais carinho dos pais. Não fosse a globalização, de repente os filhos até poderiam jogar vídeo game com seus pais duas vezes por semana. Mas há a globalização e ela impede que pais e filhos tenham uma relação próxima a de pais e filhos. Pais trabalham demais, o que é compreensível e deixam seus filhos ociosos tempo demais, o que também é compreensível. O problema todo é que um pai - e veja bem, não me refiro às famílias dos jovens ateadores de fogo, que eu sequer conheço e não as posso julgar -, acaba dando prioridade ao trabalho para sustentar o filho, o que é fundamental, porém, esquece-se de que é fundamental também que seu filho receba educação. A educação que me refiro não é a da sabedoria, não é a do conhecimento, é a boa educação. Os bons modos, as boas maneiras, o ensinamento do que é correto, do que é de bom tom e do que não se deve fazer. Havaianas, talvez falte marcas vermelhas de havaianas estampadas nas bundas da juventude.

Acontece que com a tal globalização, entende-se que é de função da escola criar indivíduos do bem e de boa índole e educação, só que não é. A escola precisa ensinar conteúdo e não boa educação aos nossos jovens. A função do pai é criar cidadãos descentes que não humilharão professores, nem sequer os balearão, ou qualquer coisa assim.

A criação de um bom homem passa diretamente pelos seus pais, mas a coisa toda de entender como funciona a reação entre tíner e fósforos, é responsabilidade do professor de química. Às favas com os direitos humanos, a culpa é toda do professor de química e o professor de física também tem participação nessa história. Não fosse ele esse incêndio jamais teria acontecido. Esse professor de física nunca me enganou, ele é responsável por muitas das tragédias do mundo, ele que disse que 'dois corpos não podem ocupar o mesmo lugar no espaço'. O mundo globalizado levou isso a sério demais, e agora pais, filhos, amigos e amigas estão cada vez mais distantes.

terça-feira, 26 de junho de 2012

Onde estão as minhas calças?


Era impossível que as calças pudessem ter sumido. Ninguém entrara ali, e ninguém sabia que estariam ali naquela hora. O que tinha acontecido? Uma sabotagem, é claro que fora uma sabotagem.
Como sairia dali com suas cuecas samba canção branca com coraçõezinhos vermelhos, meias a camisa azul claro e a gravata preta? O escritório inteiro riria dele? Aliás, o escritório inteiro não, a empresa toda, o prédio todo logo saberia do acontecido e ele seria o alvo das piadas mais infames que alguém poderia suportar.
Colocou a cabeça pra fora do arquivo morto e sussurrou:
- Mariana!?
Nada ouviu além do barulho ambiental, e um ou outro espirro a mais. Insistiu:
- Mariana!? Onde estão as minhas calças?
Nada.
Um plano, o Arnaldo teria que ter um plano, do contrário estaria arruinado, bem como o seu casamento que iria por água abaixo, junto com as malditas calças.
Depois de bater a cabeça oito vezes na parede, o Arnaldo resolveu apelar para a arma dos fracos: a espera. Sentou-se no chão, entre algumas caixas empoeiradas e lembrou-se que se tudo desse errado ainda teria a lembrança dos bons momentos com a Mariana. Aqueles beijos que lhe desceram o peito, dirigiram-se para a barriga que já estava nua e tão logo ela abriu seu cinto e baixou suas calças acomodou-se no lugar que ele esperava desde o começo. Que boca!
Melhor seria não imaginar aquele momento, pois como você sabe, as cuecas samba canção são como nada, e quando a libido aumenta, é como se nem o ar impedisse o amigão lá de baixo de se manifestar.
Só que tinha alguma coisa naquela lembrança que cheirava mal, e com certeza não era a Mariana, com aqueles cabelos dourados, e aquela pele de tez suave a aveludada, nem sequer aquelas pernas firmes sem qualquer adorno ou indicativo de musculação. Os seios fartos se acomodavam placidamente onde deveriam estar e até um pouco mais abaixo. Era uma mulher de verdade, não dessas que se vê na televisão. Era uma mulher daquelas que dá vontade de passar mais do que uma transa, e sim o dia inteiro.
O que cheirava mal era o Arnaldo lembrar que não fora ele quem tirara suas próprias calças e sim a Mariana. DESGRAÇADA! Levara suas calças consigo, sem dúvida de propósito, já fazia tempo que ela queria que ele terminasse o casamento, e essa foi mais uma de suas artimanhas para antecipar o divórcio do amante.
Com o sangue fervendo o Arnaldo lembrou-se do seu celular. Era claro, ligaria para a Mariana e ela devolveria a calça, ou ligaria para o Gonçalves, que sempre tinha uma calça sobrando no carro. Pronto, estava salvo, estava sal... puta que o pariu. O celular estava no bolso da calça.
- Eu mato a Mariana!
Já sem qualquer perspectiva de vitória, Arnaldo resolveu que faria a última coisa que lhe restava: sairia de lá, com suas cuecas de coração e com o coração na mão (que baita trocadilho). O Arnaldo poderia sair correndo, colocar um balde na cabeça, chegar até seu carro e sair como quem não quer nada, só que daí seria uma dupla vergonha, a de estar de cueca e de estar constrangido por estar de cuecas. Se era para ser o fim, ele assumiria o fim com ares de empáfia.
Abotoou a camisa, arrumou a gravata no pescoço, estufou o peito, puxou as cuecas um pouco mais para cima, baixou as meias pretas, enfiou o sapato, abriu a porta do arquivo e botou o primeiro pé na rua. Não havia ninguém. Quando colocou o segundo pé na rua, lembrou-se que havia retirado a carteira do bolso da calça e a colocado em cima daquela estante alta lá no fundo do arquivo, onde a Mariana o havia pelado e....
Santo Deus misericordioso! As calças também estavam lá. Tudo ficara claro como água para o Arnaldo, que lembrou-se de ter tirado as calças antes de consumar o ato com Mariana. Que momento tão alegre. Que êxtase divino. Aquilo sim era o ápice da vida de um homem de bem.
Vestiu suas calças de chino, estufou outra vez o peito, abriu a porta do arquivo e lá se foi.
Aquelas calças haviam salvado muito mais do que um casamento, elas salvaram o orgulho e a moral de um homem, o que quase sempre vale mais do que qualquer coisa.
A cueca branca de coraçõezinhos vermelhos era nova e até que combinava bem com a camisa azul, mas pensando bem, era melhor guardar aquele figurino apenas para a Mariana.

segunda-feira, 25 de junho de 2012

A Criatura e o Criador

Aí estamos, meu "amigo" David Coimbra (D) e eu.

sexta-feira, 22 de junho de 2012

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Lógica?!




Lembro como se fosse ontem. Lá estava eu, no quarto ano do ensino fundamental, quando a professora decretou que aquele era um dia especial, naquele dia iríamos trabalhar a lógica. “Lógica?! Que diabos era a lógica?”, lembro-me de ter pensado. E a professora começou com aquelas brincadeiras de fósforos, palitinhos e o escambau, fazendo-nos exercer nosso raciocínio, e sim, usar a lógica.
Eu fui mal, envergonho-me em dizer. Não conseguia formar malditos quadrados com aqueles palitos de fósforo que ela havia disposto sobre a minha mesa, e a tarefa era essa. Simplesmente eu tinha que forma quadrados com aqueles palitos safardanas e não conseguia. Senti-me frustrado, logo eu que sempre fora articulado, conversador e cujos boletins sempre continham uma pequena observação: “Mãe! O Ricardo é um bom aluno, muito inteligente e comunicativo, porém, pode render muito mais se não conversar tanto durante a aula”.
Ali, percebi que estava fadado a uma luta constante. De um lado eu, que agora ostento meu 1m82cm, e 75kg e do outro a famigerada lógica. Uma guerra de proporções homéricas se formara ali, e eu soube, ainda no quarto ano do ensino fundamental que eu teria de vencer.
Cresci um tanto, e resolvi arriscar-me no xadrez. Até que fui razoável. Venci um campeonato disputado entre umas 12 pessoas no ensino médio, e justamente quando o xadrez se popularizou na escola. Tarefa árdua, mas eu venci. Como tu sabe, o xadrez é lógica pura, aliado é claro, à estratégia e raciocínio. Eu sabia: havia vencido a primeira batalha, mas não a guerra.
Desisti do xadrez, depois de ser derrotado de todas as formas possíveis pelo meu pai, e me arrisquei em outras formas de lógica. Sudoku, aquele joguinho japonês, sabe? Descobri que sou péssimo em sudoku, entende o por que? Lógica, camarada, o sudoku é lógica clara e manifestadamente.
Depois que saí da escola, resolvi buscar uma profissão que não envolvesse lógica, nem estatística, nem qualquer coisa que o valha. Abriguei-me na comunicação, e claro, a lógica precisa estar presente na comunicação, mas não tão efetivamente quanto estaria na engenharia.
E foi justo no meu ambiente de trabalho que outro dia eu sugeri que poderíamos fazer um amigo secreto entre três pessoas, ao passo que um gaiato qualquer gritou: “é lógico que não podemos fazer, pois um vai saber quem pegou o outro”. Era lógico mesmo. Mas que desagradável essa lógica.
Agora eu converso com amigos, leio nos jornais, olho televisão, ouço nas rádios, participo de debates, e todos falam: não dá, o Grêmio já era. O Palmeiras é franco favorito, venceu por dois a zero dentro do Olímpico e agora só um milagre salva o Grêmio.
Alguém até comentou que era uma questão de lógica. Aí sim eu me irritei, levantei, bati na mesa do bar em que estávamos e falei:
“Lógica?! Que diabos é a lógica?!”


Eu acredito no Grêmio!

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Da série: "o que esse guri tá fazendo - de novo - no jornal?"

Mais uma vez minhas bobagens foram publicadas no Jornal de Gramado.  Houve uma grande repercussão e, por incrível que pareça, muita gente elogiou e apoiou o que escrevi.
Agradeço aos que leram e peço que sigam acompanhado meu trabalho, pois prometo me empenhar cada dia mais na elaboração de novos textos que levem diversão a todos.


PS: a foto mais uma vez me fez parecer uma moça doida, e eu próprio já começo a desconfiar de mim mesmo. Hoje de manhã acordei, me olhei no espelho  e disse: "não, tu não é gay". Me convenci.
hahahah

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Da série: "O que esse guri tá fazendo no jornal?"

Publicaçao de uma modesta "entrevista" que concedi ao Jornal de Gramado publicado na terça feira 28 de maio. Abaixo, está também um texto que escrevi em certa ocasião e que foi publicado mais uma vez.
Apesar da cara  que estou na foto, engana-se aquele que pensa que eu sou gay. Esta foto é caluniosa, e não pegou o meu melhor ângulo (que seria a nuca).


terça-feira, 5 de junho de 2012

O futebol é um amante infiel


Assumo, sou um grande fã do futebol. Não é vergonha nem nada, eu gosto de futebol e isso me faz bem. Perco horas da minha semana acompanhado o meu time, e torço fervorosamente por ele mesmo que o jogo não valha um tostão furado. Isso é por que há paixão no futebol e eu apaixonei-me por ele desde a primeira vez que o vi.

Só que o futebol é injusto. O futebol, como quase todo bom amante é um safado que não nos é fiel por muito tempo, e isso não se explica só quando o nosso time perde, explica-se também quando há um envolvimento monetário em questão. O mundo do futebol de alto nível engloba absurdos valores não só no Brasil, como em todo o resto mundo. Recentemente houve – mais um – caso de manipulação milionária de resultados na Itália, mas não é a isso que me refiro.

As siglas que giram em torno do Campeonato Brasileiro e de todos os times que estão na elite do futebol nacional são astronômicas e isso, não tenho dúvida, gera um belíssimo campeonato e disputas acirradas, que só definirão seu campeão no final dos 90 minutos do último jogo.

É incrível que isso aconteça, afinal de contas o brasileiro é um povo tão sofrido e que trabalha tão duro todos os dias, que merece ter um campeonato digno, que o faça descontrair-se ao menos algumas horinhas semanais. Acontece que agora eu toquei num ponto crucial e que explica o por que o futebol é um safado: o dinheiro de um lado e a labuta pesada do brasileiro de outro.

Vejo campanhas engajadas em um melhor salário para os professores e concordo com elas. Posso não concordar com a forma com são feitas, ou como o CPERS, por exemplo, se manifesta, mas concordo com o conteúdo de suas manifestações. Um professor precisa ganhar bem, pois o futuro saudável de uma nação passa por ele, e isso, todos sabem não vou eu ficar aqui batendo na mesma tecla.

Falemos agora de uma contradição homérica do País em que vivemos. Enquanto um jogador de futebol mediano ganha no mínimo 50 mil reais mensais, o salário mínimo do Rio Grande do Sul, por exemplo, não passa dos R$700 e o salário de um professor é de pouco menos do dobro dessa quantia. É justo?
Não é justo e há uma contradição estrondosa por trás disso tudo, afinal de contas a grande maioria dos jogadores de futebol abandonam os estudos para ficar mais próxima do sonho de se tornar um profissional da bola. Entenda bem, não é demérito a ninguém largar os estudos e menos ainda tornar-se jogador de futebol, o que acontece é que o alto salário pago a um jogador e o ínfimo salário pago a um professor mostram o quanto a educação não vale nada em um País quase miserável.

Isso tem uma explicação política, é mais fácil manipular o voto de quem não tem educação do que de um povo instruído. É mais fácil encher o Brasil com ajudas de custo para auxiliar os menos favorecidos a curto prazo, do que apostar em uma revolução educacional futura e completa, que renovaria a maneira de pensar de um País em desenvolvimento.

Acompanho com pesar a mudança de uma juventude. Cada dia que passa deparo-me com um maior número de analfabetos funcionais ou pessoas que depredam a língua portuguesa sem qualquer cerimônia. Não os culpo e espero que você também não os culpe. Quem nos deve explicações de fato, é a República Federativa do Brasil que desde cedo nos promete um destino fadado ao infortúnio, bem como promete um salário irrisório aos encarregados de criar um mundo melhor, ou no mínimo mais bem educado.