segunda-feira, 22 de março de 2010

A fogosa Alessandra

...quando se encontravam havia sempre um olhar despudorado, carnal. Era como se despertasse em cada um dos dois o erotismo americano. Como se acendesse nos interior deles a chama do sexo sádico.

“O ápice da vida de um homem é satisfazer-se com uma só mulher. Enquanto eu não acho essa mulher, sigo com outras e vivendo a instabilidade de uma vida masculina”, era o que dizia o Armando sempre que alguém perguntasse se ele não pensava em constituir família. “Não é possível que eu tenha de privar as outras mulheres de um talento que tenho. Seria muito egoísmo de minha parte, prefiro ser um altruísta”, ainda completava.
De fato Armando vivia a forra com diversos tipos de mulheres. Em sua cama era um festival de fios de cabelo; loiro, preto, castanho claro, castanho escuro, ruivo, vermelho, diziam que até madeixas de cor lilás se abateram sobre o lençol branco do rapaz, ao que ele apenas respondia: “essas emos, nunca mais!”.
Armando tinha um vida desregrada, mas ainda assim era um exemplo de virilidade e boa conduta. Não deixava um amigo na mão e ainda bradava, “se não der mais conta da tua mulher, manda pra mim que eu trato bem”. E fizera questão de ajudar um punhado de amigos cujas mulheres se diziam insatisfeitas. Dizia sempre que o remédio que ele tinha para problemas conjugais era tiro e queda, mais tiro do que queda, ou vice-versa.
Acontece que em uma ocasião alheia à qualquer outra, apareceu um anjo em sua vida. Morena, pele macia, as coxas mais coxas que o Armando tinha visto (e não foram poucas que ele vira). Tudo nela era alvo do tesão mais obsceno que Armando experimentara na vida.
Alessandra era o nome. A-les-san-dra, ele pronunciava devagar, sempre que ela resolvia dar o ar de sua graça. Saboreava cada vogal, cada consoante, cada sílaba, que aquele nome possuía. Até o nome era gostoso de se sentir. Sentia-se tentado. Alessandra era uma espécie de bibelô viciante que Armando tinha adquirido.
Alessandra era a nova relações públicas de empresa e fazia questão de mostrar o quanto era articulada, e o quando seu cargo combinava com ela. Mostrava-se suave no trato com todos, mas principalmente com os homens. Parecia conhecê-los como a palma da mão. Encantava como fosse uma feiticeira. Uma encantadora de homens. Todos diziam: “Alessandra é mulher como não se faz mais”.
Alessandra era mulher como não se fazia mais, de fato. Tinha um “quê” especial, a Alessandra. Quiçá fosse a personalidade forte, aguçada. Mas poucos sabiam que Alessandra estava ali com um simples objetivo, destruir a vida do Armando. Involuntariamente, claro, mas era esse seu destino.
Armando sabia que estava apaixonado, e Alessandra sabia que ele estava apaixonado. Resolveu então mostrar pra ele tudo o que ele precisava saber.
Antes que Alessandra pudesse pensar em alguma atitude, o primeiro bilhete chegou, entregue pelo office boy:

Tudo em ti me fascina. És o sol que está a iluminar minha semana sombria.
Ass: A


Os bilhetes foram chegando diariamente, e Alessandra já descobrira quem era o autor dos feitos.
Certo dia, Alessandra apareceu com seu andar serelepe e o jeitinho fascinante na sala de Armando, que era o gerente de RH da empresa. Olhou-o nos olhos e disse:
-Eu sei.
-Sabe o que?
- O que tu quer comigo.
- Sabe?
- Sim, quer só me comer.
- O que é isso, dona Alessandra.
- Admita. Tu olha pra mim, e pensa em sexo.
- Eu não admito que fale assim comigo.
- Não, admite? Pois agora eu quero que me coma.
- Não farei isso... está bem, eu como.
- Come mesmo?
- Como.
- Viu?! Falei que tu só queria me comer.
- Mas eu não quero. Ia comer só por que tu tava pedindo.
-Ah sim, agora eu sou oferecida.
-Não é isso. Mas tu pediu.
Alessandra pulou no colo de Armando e ali os dois se amaram, fervorosa e alucinantemente. Desde aquele dia, quando se encontravam havia sempre um olhar despudorado, carnal. Era como se despertasse em cada um dos dois o erotismo americano. Como se acendesse nos interior deles a chama do sexo sádico.

Continua...

Um comentário:

Marco H. Strauss disse...

A confusão da vida de solteiro é braba! HAUSHASUHSUAS Gostei, gostei. Continua te superando nos textos.
Valeu meu velho.
Abraço