quinta-feira, 21 de junho de 2012

Lógica?!




Lembro como se fosse ontem. Lá estava eu, no quarto ano do ensino fundamental, quando a professora decretou que aquele era um dia especial, naquele dia iríamos trabalhar a lógica. “Lógica?! Que diabos era a lógica?”, lembro-me de ter pensado. E a professora começou com aquelas brincadeiras de fósforos, palitinhos e o escambau, fazendo-nos exercer nosso raciocínio, e sim, usar a lógica.
Eu fui mal, envergonho-me em dizer. Não conseguia formar malditos quadrados com aqueles palitos de fósforo que ela havia disposto sobre a minha mesa, e a tarefa era essa. Simplesmente eu tinha que forma quadrados com aqueles palitos safardanas e não conseguia. Senti-me frustrado, logo eu que sempre fora articulado, conversador e cujos boletins sempre continham uma pequena observação: “Mãe! O Ricardo é um bom aluno, muito inteligente e comunicativo, porém, pode render muito mais se não conversar tanto durante a aula”.
Ali, percebi que estava fadado a uma luta constante. De um lado eu, que agora ostento meu 1m82cm, e 75kg e do outro a famigerada lógica. Uma guerra de proporções homéricas se formara ali, e eu soube, ainda no quarto ano do ensino fundamental que eu teria de vencer.
Cresci um tanto, e resolvi arriscar-me no xadrez. Até que fui razoável. Venci um campeonato disputado entre umas 12 pessoas no ensino médio, e justamente quando o xadrez se popularizou na escola. Tarefa árdua, mas eu venci. Como tu sabe, o xadrez é lógica pura, aliado é claro, à estratégia e raciocínio. Eu sabia: havia vencido a primeira batalha, mas não a guerra.
Desisti do xadrez, depois de ser derrotado de todas as formas possíveis pelo meu pai, e me arrisquei em outras formas de lógica. Sudoku, aquele joguinho japonês, sabe? Descobri que sou péssimo em sudoku, entende o por que? Lógica, camarada, o sudoku é lógica clara e manifestadamente.
Depois que saí da escola, resolvi buscar uma profissão que não envolvesse lógica, nem estatística, nem qualquer coisa que o valha. Abriguei-me na comunicação, e claro, a lógica precisa estar presente na comunicação, mas não tão efetivamente quanto estaria na engenharia.
E foi justo no meu ambiente de trabalho que outro dia eu sugeri que poderíamos fazer um amigo secreto entre três pessoas, ao passo que um gaiato qualquer gritou: “é lógico que não podemos fazer, pois um vai saber quem pegou o outro”. Era lógico mesmo. Mas que desagradável essa lógica.
Agora eu converso com amigos, leio nos jornais, olho televisão, ouço nas rádios, participo de debates, e todos falam: não dá, o Grêmio já era. O Palmeiras é franco favorito, venceu por dois a zero dentro do Olímpico e agora só um milagre salva o Grêmio.
Alguém até comentou que era uma questão de lógica. Aí sim eu me irritei, levantei, bati na mesa do bar em que estávamos e falei:
“Lógica?! Que diabos é a lógica?!”


Eu acredito no Grêmio!

2 comentários:

Marco Tondolo disse...

Tchê, PARABÉNS ficou excelente seu texto. E para completar...EU ACREDITO #3x1 TRICOLOR

Frederico B. Oaigen, disse...

Cara, sempre que venho aqui me supreendo com teus textos, é lógico.

Mesmo não sendo gremista e, admito, ter torcido pelo fracasso do coirmão, digo que tudo pode acontecer nessa noite.
Espero que dê a lógica, mas temo que ela falhe. =P