quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Quem foi rei...

Artur foi, e tenho lido sobre isso, um grande homem. Alguns não saberão de que Artur eu falo aqui, pois não o reconhecem sem um prefixo comum na prescedência do nome do homem, Rei. O Rei Artur, que não foi rei, mas foi Artur.
Não foi Rei e explico o por que. Ele na verdade, tomou as rédeas de um país, quando seu rei verdadeiro ainda era uma inocente criança aguardando a vinda da maturidade. Nesse período, Arutr comandou, mas não foi rei. Ao menos até onde me consta. O que acho bárbaro, e fascinante em sua história, porém, não é só o fato de ele não ter sido rei e assim ser taxado, mas sim o fato da forma como é contada a sua história.
Lendas e histórias infantis falam de uma espada encravada em uma pedra e cujo destino a permitiria ser desestocada dali apenas por um homem nobre de peito e alma, ou seja, seu verdadeiro dono, que por um acaso vinha a ser o dito cujo Artur.
Há alguns dias li o primeiro livro de uma trilogia que conta a história de Artur em detalhes, narrado em uma terceira pessoa, que segundo o livro seria um dos maiores cavaleiros de Artur e não, esse cavaleiro não é Lancelot e aí eu chego onde queria chegar. De acordo com o personagem narrador do Livro, escrito pelo grande Bernard Cornwell, Derfel, o nome dele, ele sim era um grande guerreiro, enquanto Lancelot era um covarde frutinha.
Sim, de acordo com o livro, Lancelot era apenas um medíocre, filho de um rei sem reino, pois o pai de Lancelot, Ban, foi destronado em meio a uma guerra com os saxinônicos, e não lutava, apenas fingia. Isso mesmo, fingia que lutava. Os bardos cantavam suas sagas dignas de Homero, pois ele os pagava. Encomenadava histórias a serem contadas, criando assim uma fama de herói. Lancelot virou um machão galanteador, um protótipo de Don Juan da Idade Média, quando na verdade era um franguote meio que afeminado. É o que diz o livro.
O que me instiga são esses “poréns” da história e não só da história do Artur, mas sim da história geral. Os pormenores de todas as histórias. Admiro-me com o fato de algumas histórias serem tidas como verdade absoluta quando todos sabemos que na verdade não são. É impossível se perpetuar uma história como ela realmente foi ao longo do tempo. Relatos podem conter verdades, mas podem ocultar outras. Por vezes, involuntariamente, por outras, da maneira mais proposital possível. Quer um exemplo?
A estátua de Moisés feita pelo Michelangelo tem guampas. Sim, tem guampas e alguns dirão, “mas é um arigó esse Ricardo. Tá na Bíblia, é só olhar e ver que diz lá que ele tinha gumpas”, mas não, ele não tinha guampas. Qual o tipo de homem que tem guampas? Não refiro-me ao figurado. Mas enfim, Moisés não tinha guampas. Ai alguns pensarão que então quem escreveu tal citação, das gumpas de Moisés, devia ter tomado ácido ou qualquer outra droga para que dissesse que o pobre homem era chifrudo, mas eu explico o fato. Por uma ou duas palavras de diferênça, na hora em que a passagem foi traduzida do Latim, a conotação da mesma sofreu uma significativa mudança. “O rosto iluminado pelas luzes celestiais”, a frase dizia em sua língua original. “Carregava chífres na cabeça”, a tradução.
Um segredo se esconde atrás de outro segredo e é por isso que eu não sou o maior cristão do mundo. Outrora já externei minha opinião de que acredito em uma força que rege o Universo, sim. Mas não que ela vem exclusivamente de um lugar só.
Não se pode crer em uma meia verdade, ou numa história sem argumentos científicos que comprovem essa sua vercidade.
Uma vez ouvi de uma amiga que é aí que entra a questão da fé. Quem crê, é por que quer e por que tem fé. E eu, apenas avalio que posso não ter fé em muitas coisas, mas no Renato Portalupppi eu tenho. Isso por que, Renato é um mito real. Daqueles que se vê surgir e não se vê perder a graça.
Saiu de dentro do campo, porém, não sai do futebol, é daqueles que segue sendo um mágico das quatro linhas. Tirou o Grêmio de uma situação complicada e vislumbra logo ali a frente, uma vaguinha na Libertadores da América do ano que vem.
Isso sim é ser rei, um rei como Artur, cujo adjetivo é totalmente figurado, porém, a magnitude do que esse homem significa, certamente entrará para a história, como outrora já entrou com as cenas de Tókio.
Contudo, espero, porém, que Renato, assim como Artur, não seja um rei que apenas esteja esperando a chegada de outro para ceder seu lugar ao sol, ou ao trono. Renova Renato.

2 comentários:

Fredi_Bazzan disse...

Cara, eu tava aqui, dele comentar essa postagem, com nossas conversas particulares, mas ainda não tinha parado para ler este texto. Embora colorado, digo que a relação RenatoxRei Arthur foi muito pertinente e tornou o texto riquissimo em talento e cultura.

Parabéns, caro amigo!

Ricardo Bertolucci Reginato disse...

Agradeço-te, meu querido e espero profundamente não ver em teu blog um texto falando do Celso Juarez ao final do mundial
:p