terça-feira, 4 de agosto de 2009

Querida história, perdoai-nos

Conheci Pelotas. Não conhecia Pelotas, verdade. Não sou o que se possa denominar de um viajante. Viajo quando posso, não quando me convém, se assim fosse, seria um viajante. Não trato com vergonha esse desconhecimento meu, de uma cidade histórica do Rio Grande do Sul. O que me inclino a afirmar, é que gostei de Pelotas.

Tem-se uma sensação de estranha nostalgia quando cruza-se a ponte imperial, talvez a minha imaginação, que quando pouca pode ser chamada de fértil, transpassa o cotidiano e remeta-me ao passado. Imaginei-me, acenando ao imperador que cruzava a ponte, conduzido em uma carruagem imperial, afinal, imperadores usam carruagens imperiais, suponho, do decorrer de séculos passados.
Conheci ruas estreitas, que não fossem os carros, todos os malditos carros que as habitavam e circulavam tal qual imponentes carruagens imperiais, eu diria que voltei ao século XVIII, mas não voltei. E essa nostalgia inexplicável, de algo que eu não vivi é que me chama a atenção, mais adiante à explicarei.

Não que Pelotas seja um exemplo de civilização, não é. Mas não pela história que a circunda, sim pelo desinteresse com que aquilo tudo é tratado. Não só pelo poder público, como também pela população. Levantaria o dedo, se pudesse, e um protesto pela história, em nome da história, apoiado pela história, diria: “Que encerrem aqui as pichações”!

Não cabe a mim, que nada sou, tomar medidas de protesto. Não conheço aquela realidade, quicá haja até motivo para as pichações, embora não acredite nisso. O que alego, é que talvez, a nostalgia que senti, é a dos tempos melhores, dos tempos que não vivi, é claro, mas se os tivesse vivido, teria gostado, e como teria.

O passado me conforta, talvez não pelo que de fato aconteceu, mas me parece que tudo o que passou é sempre melhor. É instintivo do ser humano pensar que tudo o que aconteceu poderia ter sido melhor, e é nisso que penso, se tivesse vivido em mil oitocentos e alguma coisa, teria sido o imperador? É provável que não. Nasci num tempo diferente, o que faz de mim, parte de uma nova geração. Sou da geração que não viveu a história. Da geração que em sua maioria desconhece a história. E o pior de tudo, sou da geração que depreda e história.

Constrangimento, é o que me resta. Peço perdão àqueles que viveram naqueles tempos. Peço perdão aos que tentaram manter a história viva até hoje. Desculpem-me, em nome da minha geração desavergonhada.

2 comentários:

Lara disse...

Minha cidade! :D Linda né? Concordo contigo em cada palavra, desde falar da beleza histórica da cidade, que particularmente acho tão aconchegante, até lembrar a falta de conscientização de parte da comunidade quanto a isso. Amei teu texto! Tu escreves cada dia melhor, meu amor. Te amo muito, beijos.

Um passo além disse...

Geração desacreditada, desiludida, debochada difamada e desgraçada.
CAmbada de filhos da Puta que somos como um todo,tudo passa, só ficam nossas "histórias" e agente nem da bola. Eu nem penso tão longe, só qieria ter vivido o final dos 60 e todos os 70! Que época que deve ter sido bem tri.. :)