segunda-feira, 10 de agosto de 2009

A chinchila do mal

Uma vez conheci uma chinchila do mal. Pouca gente sabe o quanto uma chinchila pode ser cruel. Alguns ainda, não sabem o que é uma chinchila, quem dirá que pode ser maligna. O fato é que existem sim chinchilas tocadas pelo dedo do belzebu e uma delas, eu conheci.
Trabalhei uma época da minha vida, em uma criação de chinchila. E foi lá que me encontrei com o satã de pelo macio e carinha de coelho. Nunca na minha vida fui tão ridicularizado por alguém, o “Mal” (como a chamarei agora) fez de mim gato e sapato.

Era uma manhã nublada, eu alimentava solitário os mais de três mil roedores que ciciavam seus dentinhos na saborosa ração que lhes oferecia. Todos estavam fagueiras, animadas com a ceia do dia. Uma não. Cabe aqui a repetição da frase: Uma não!
Passei por ela, e vi nos seus olhos o ódio, ela carregava naqueles olinhos arregalados, tanta raiva quanto uma chinchila pode carregar. Tudo começou quando eu lhe entreguei inocentemente sua porção de ração do dia, em seguida à olhei, contemplando a reação de felicidade que deveria brotar naquele focinho peludo. Não brotou,ao contrário, a partir daquele momento meu martírio começou.
Sabe-se lá como, a maldita desvencilhou-se das grades que a separavam do mundo, sorrateira que era, me tomou muito esforço. Por horas eu à persegui, desesperado, afinal o animal sozinho me custaria um mês de salário. Corri em círculos por pouco mais de meia hora, quando ela desapareceu. O Mal.

Atônito eu continuava as buscas que julgava inúteis, uma vez que meu fracasso era quase um fato consumado, ficaria sem a chinchila, sem salário, mas minha dignidade aquele monstro não tomaria de mim, não me entregaria sem lutar.
A manhã passou, a tarde se fez e depois da tarde, a noite, a madrugada adentrou e eu ali, de tocaia, o animal não ia vencer assim. Estava atento a qualquer movimento, um simples balançar de papel me ressaltaria e dessa forma o Mal não triunfaria. O sono veio, e tal qual o Mal me venceu.

Acordei, segunda-feira, quando minha colega, que trabalhava coincidentemente em segundas-feiras, me cutucou com a ponta do sapato. - Que tu estás fazendo atirado aí? – perguntou-me - Esperando o Mal chegar – lhe respondi.
- Muito bem, se tu estás drogado, pouco me interessa, o fato é que achei essa chinchila esperando ao lado da porta quando cheguei, sabe me dizer por que não a capturou? Olha a carinha de assustada dela, coitadinha.
Aquela cena não me sai da memória, olhei o animal, procurei o olhar da coitadinha, mas não encontrei, naqueles olhos castanhos, só existia o mal.

6 comentários:

Um passo além disse...

Pobre Chichila Ricca Falaour..

Cristini Moritz disse...

Olhos possuidos da coitada Chinchila..

Cristini Moritz disse...

Vim até teu blog através de um leitor assíduo daqui, o qual me indicou.

Legal teu blog. Parabéns, assessor da prefeitura de Gramado.

Marco H. Strauss disse...

Há tempo não conseguia acompanhar teu blog, mas agora acho que poderei retomar as minhas risadas e surpresas com teus textos sempre muito bons. Gostei, cada vez melhor!!!

Abraço

Lara disse...

Pobre chinchila mesmo, um animalzinho tão indefeso. Como pode acontecer isso, ser possuída pelo mal?! hehehe
Adorei teu texto, amor. Mas entre Chinchila e Borboleta, eu prefiro o da Borboleta.. pq será?
Te amo.

Ricardo Reginato disse...

Agradeço a todos os que comentaram. Sei que posso contar com vocês para continuar divulgando minhas histórinhas surreias, ou não.

Um abraço.

ps: a minha borboleta.