segunda-feira, 27 de abril de 2009

O incenso proibido

Sim, assumia. Na verdade não era assim tão assumido, mas se perguntassem, ele assumiria. Era uma pessoa magnífica, todos o admiravam, todos eram seus amigos, ou, caso não fossem, gostariam de ser. Era do tipo amigão, daqueles que ninguém tem reclamação nenhuma. Mas tinha como vício fumar aquele cigarrinho proibido por lei.

Na casa dele, era sempre o mesmo. Os pais o adoravam, o veneravam, era o legítimo filho perfeito, claro, que não sabiam do seu “segredinho”. Mas também, não faziam força para o identificar, era como uma alienação a verdade, não faziam questão nenhuma em saber, ou fingiam que não sabiam o que era ruim. E foi em uma agradável conversa com ele, que cheguei a essa conclusão. Siga meu raciocínio, nobre amigo, e veja se concorda com a minha linha imaginativa.

Saiu do trabalho, do qual estava exausto. A velha intriga entra patrão e funcionário, a labuta sempre é menos remunerada do que de fato deveria ser. O trabalho o estava estressando, ele tinha a maneira perfeita para aliviar a pressão. Fumaria seu baseado. NÃO, não fumaria, estava tentando evitar o vício. Chegaria em casa e descansaria.

Pegou sua moto, uma dessas mobiletes da nova geração, sentou-se no banco, tal qual um cavaleiro do asfalto, e sentiu o vento bater em sua face, na mais pura da sensação de liberdade terrena. Chegou em casa, banhou-se, relaxou enquanto olhava o programa que mais gostava, e foi para o seu quarto, onde permaneceu, por horas, até adormecer no mais profundo, porém inquieto sono.

Virava-se de um lado para outro da cama, nos sonhos, a maldita lhe convocava para o fumo. Não, não era por assim dizer, viciado, mas gostava, era uma tarefa diária, quase como escovar os dentes. Acordava, banhava-se, fazia toda sua fisiologia, fumava um, trabalhava, fumava um e dormia, as vezes não nessa ordem, mas o fazia. Não via como obrigação, nem vício, mas compromisso.

Não resistiu, levantou-se em plena madrugada, pé por pé foi até o quarto dos pais, sorrateiramente, conferiu se ambos dormiam, e de fato o faziam. Voltou ao seu quarto, onde selou a porta, a fechadura estava estragada, o perigo era eminente. Os quartos eram muito próximos, seus pais a qualquer hora poderiam o pegar com a boca na butija, ou no baseado.

Não deu bola para o perigo, a adrenalina lhe subiu as veias, e ele botou o cigarro na boca, acendeu, a fumaça infestou seu quarto, mas aquilo foi tão lindo, tão bom, tudo estava tão perfeito. Lindo, lindo. Plaft, plaft, plaft (onomatopeia para identificar barulho de pantufas encontrando o assoalho)...oh não, tudo estava perdido, nosso herói maconheiro ia ser pego, alguém acordara e sentiria o cheiro, caso não sentisse, o veria com a prova do crime. Eis que a porta do quarto se abre, sua mãe, com a cara mais feia que se é possível fazer, olha pra ele e decepcionada diz, pondo fim ao nosso suspense: :
- Ah não, filhooo! Tu sabe que tua irmã tem asma, por que insiste em acender esses incensos de maçã?

2 comentários:

Marco H. Strauss disse...

HAHAHAHAHA!
Oh incenso, claro! O cheirinho de maçã provavelmente se deve às viagens ao paraíso!
Comentário esdrúxulo! Enfim, parabéns! Bom texto!

Ricardo Reginato disse...

Encontra-se ai a ambiguidade interpretativa do texto. heheh
Valeu pelo comentário, Marco.
Abraço!