segunda-feira, 13 de julho de 2009

Brilham mais ainda

Eu temia, aliás, temia e ainda temo por uma desagregação folclórica que se abata sobre nosso tão apaixonante solo pátria. Ouço histórias, e sempre às ouvi, de feitos passados, mas não de um passado assim tão distante, mas coisas que há poucos anos, ou muitos para os tempos onde a cada dois dias se lança um novo celular, histórias que me fazem ir além, ao imaginar como pessoas simples se faziam célebres e incontestavelmente populares.
Não uma, nem duas vezes, ouvi boatos sobre um senhor, que por volta das 15h, chegava em Porto Alegre, sentava-se em um balcãozinho, ali, naquele bar da Cidade Baixa, e tomava sua cachaça. Era calmo e tranquilo, tratava todos da forma como o tratavam sempre, com todo o respeito possível. Os cabelos brancos revelavam uma experiência que com palavras ele confirmava. Se perguntassem o nome, ele respondia: “Sou o Bezerra”. Insistindo no sobrenome, encolhia-se, talvez tímido, mas acho mais provável que fosse para manter-se anônimo em meio a tantos, e com o chapéu coco sombreando a face, respondia: “da Silva...Bezerra da Silva”.
O talento inegável de Bezerra, não era do tamanho da sua empáfia, Bezerra não à tinha. Colecionou, durante a vida, fãs, que além da morte ainda tem. A maior marca que alguém pode deixar para o mundo, é um legado pós vida. Bezerra o deixou.
O quão diferente um mundo dentro de seu contexto único é capaz de ser, compara a simplicidade, à excentricidade, e premia as duas. Não tem-se notícias de que o lendário rei do pop, Michael Jackson tenha sido, em qualquer momento de sua vida, uma figura simples, do contrário, era excêntrico, talvez perturbado pela ausência da infância a ele privada pela quantidade de talento que possuía.
Michael resolveu viver a infância que não tivera, após a suposta maturidade, não se faz cabível julga-lo, uma vez que jamais o faria. O que tenho a declarar, é que em um mundo onde tão poucos talentos surgem, e tanta porcaria é vendida, muito se perde ao calar da voz suave do astro mais excêntrico que o mundo já viu.
Michael agora é de fato o astro que sempre sonhou em ser. Porém, quando o quiseres ver, não se paga ingresso, não se move multidões, apenas, olha-se para o céu. A estrela que mais brilhar, tenha certeza, representa Michael. E quem sabe ao seu lado, discreta, mas sem menos brilho, esteja o não menos brilhante Bazerra da Silva.

5 comentários:

Fredi_Bazzan disse...

Cara... que afude... n sabia q o Bezerra era gaucho... hahaha muito bom mesmo cara... eu vo apertá, mas n vo acender agora...

Ricardo Reginato disse...

Cara, o Bezerra não é gaúcho. Mas volta e meia vinha a Porto Alegre, e quando vinha, tinha o seu bar.
Valeu pelo comentário.
Abração

Lara disse...

Com certeza, a palavra 'excêntrico' é a que mais combina com o michael.. hehe. ficou muito bom, amor. vou mostrar pra minha mãe, ela vai gostar ;) te amoo

Cristian Schnidger disse...

Respeito o Jackson, mas prefiro o Bezerra, até pela parceria cachacística e de outras...bom, deixa pra lá.
Abraço meu!

Ricardo Reginato disse...

Compreendo vossas afinidades com o ilustre sambista, Sr.Schnidger, e também as tenho, embora tenhamos que concordar com o talento do Jackson.
Agradeço pelo comentário, e espero ve-lo de volta ao mundo das letras, que sem a vossa pessoa tem perido muito em pouco tempo.
Abraçinho.