segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

O Clube de Trova Interativa

Eu, mesmo sendo um cara chato, pobre e sem serventia, tenho amigos. São amigos especiais, como todo amigo é. Daqueles que se carrega no peito por uma vida inteira. Tenho bons amigos no jogo de futebol, tenho bons amigos no ambiente de trabalho, bons amigos na faculdade, bons amigos na academia, e acima de tudo tenho bons amigos na vida.

É com um desses bons amigos da vida, chamado Cristian Schnidger que lanço-me em uma nova campanha bloguística. O amigo em questão é um puta escritor, e um cara genial, portanto, tenho certeza de que se o blog não der certo em termos midiáticos, ele servirá para darmos boas risadas e unirmo-nos uma vez mais, visto que esse meu amigo mora em Porto Alegre e eu permaneço estático aqui em Gramado.

Bem, o blog chamar-se-á CTI- Clube da Trova Interativa, e deve começar a vigorar a partir do final desta semana ou no início da próxima. Nele pediremos encarecidamente ao público que faça o obséquio de escolher uma situação e um lugar, e nós, os humildes blogueiros criaremos um conto, no qual utilizaremos a trova, a retórica, ou o popular “xalalá” para que tenhamos uma histórinha divertida e quem sabe atraente, nem sempre tendo a ver com um homem conquistando uma mulher. Por vezes a trova se faz necessária para escapar de um problema no trabalho, ou na escola, ou em qualquer lugar que seja.

Conto com o apoio de todos os meus leitorezinhos, que são tão estimados por mim, e que aturam minhas bobagens há tanto tempo, nessa nova empreitada, deixando claro que não abdicarei do Ah Pois é, pois ele é minha cria mais antiga e nele expresso o que penso, em crônicas, o que não acontecerá no CTI.

Bem, se vocês, queridões quiserem conhecer um pouco da excelente escrita de meu companheiro de blog, Cris Schnidger, entrem em www.nadacerto.blogspot.com, e deparem-se com esse grande e criativo escritor.Um abraço a todos.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Uma História Saudosista

Acabo de olhar um dos melhores filmes já produzidos. Os créditos ainda rolam na tela de minha televisão e meus olhos estão marejados por lágrimas que só não caíram de forte que eu sou, e que sou homem, e homem não chora.
Eu me considero um cara esperto. Não, talvez esperto não seja a palavra. Inteligente, quem sabe. O fato é que mesmo considerando-me alguém com um pouco de conhecimento sobre uma ou outra coisa, e já tendo lido livros e mais livros e visto filmes e mais filmes, o filme que acabo de ver, e que tanto me tocou chama-se “Rei Leão”. Sim, esse mesmo Rei Leão que tu estás pensando, do Mufasa, Simba, Scar ( aquele safado), Timão, Pumba e cia Ltda. Esse é um dos melhores filmes que já olhei em toda a minha vida.
Explico o por que. Filmes são sentimentos, são pequenos preenchedores de espaços vazios que temos na nossa alma. Filmes são sensações das mais variadas em uma mesma história. Filmes não necessariamente precisam ser inteligentes para que sejam geniais. A genialidade por vezes se esconde nos pequenos atos, e nos mais singelos personagens.
O Rei Leão me preenche um espaço vazio da alma, pois me remete há longos 17 anos, quando eu ainda era uma pequena criança, trocando palavras e fazendo manha para ganhar um kinder ovo. O Rei Leão, desperta em mim um sentimento assaz saudosista, que me lembra do quão feliz eu era, e do quão rapidamente as coisas mudaram. Me lembra que eu cresci e que o tempo, invariavelmente apenas avança e jamais, absolutamente jamais retrocede.
Sendo ou não um filme feito em 1994, indicado ou não indicado para crianças, o Rei Leão é uma história arrebatadora. Não se pode usar qualquer expressão diferente de arrebatadora para predicar este filme, que ao longo dos tempos veio adquirindo fãs que cresceram junto com o Simba, junto com a Nala, e despejaram lágrimas, como as que me preenchem os olhos agora, ao lembrar da desolante morte de Mufasa. Um filme de qualidade nos mexe os sentimentos. Desperta as mais variadas reações, sejam elas positivas ou negativas, e ai, não importa se a história é criada por Beckett, ou é uma produção dos estúdios Disney, tudo se transforma e recebe apenas duas definições: bom ou ruim.
O Rei Leão é bom. É muito bom. É um filme que me faz pensar apenas coisas boas. Me faz pensar no quanto nós, crianças dos anos de 1990, divertíamo-nos sem internet, I Phone, I Pad, I Pod...sem qualquer criação da Apple. Como éramos felizes tendo o pouco que fosse. Vivíamos numa fase iluminada, onde pega-pega, e arminhas de água eram as verdadeiras brincadeiras. Sagrávamo-nos campeões do torneio de duplinhas de futebol no meio da rua, com quatro tijolos como goleira. Fazíamos tudo isso, e quando chovia, olhávamos Rei Leão, Blink Bill – esse não tão famoso, mas mesmo assim eu era fã -, ou ainda Bernardo e Bianca. Sim, nós crianças dos anos 1990 fazíamos coisas de criança, por mais absurdo que possa parecer. Não olhávamos Big Brother, embora pareça surrealismo, e o que de mais tecnológico tínhamos era um relógio, em casos extremos, para que soubéssemos a hora de voltar para casa.Os tempos mudaram, e com ele mudaram as crianças que não mais brincam no pátio de casa, não mais usam arminhas de água, em muitos casos não respeitam seus pais, e por último, e muito mais grave do que qualquer outra coisa que possa acontecer a uma criança da geração Z, elas não sabem quem é o Simba, menos ainda que o Scar é um safado.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

O Fazedor de Planos

A história de um homem que mudou por uma mulher

Antes mesmo de sair da cama ele já traçava os planos de como seria o seu dia. Mesmo que involuntariamente pensava: “saio da cama, e ainda sonolento vou até o banheiro onde escovarei os meus dentes, lavarei o rosto e resumidamente farei minha higiene pessoal. Depois disso, coloco a roupa que ontem já deixei separada. Ai vem meu café da manhã, que hoje será cereal com bananas. Feito isso, saio rumo ao meu trabalho, hoje vou a pé, pois o dia está bom e, pensando bem, nem é tão longe. Se bem que eu sempre vou a pé. Bom, hoje vou a pé de novo, não quero gastar com transporte...”. Tudo metódico, e as reticências dão lugar a mais centenas de pensamentos que colocam em ordem o dia dele. Nada sem programação, tudo muito bem organizado, que vida ele leva.

Até chegar no trabalho, é tudo igual. Ele conta quantos passos foram dados de um destino ao outro, por vezes variando ao contar o número de janelas nos edifício de cor azul que encontra no caminho, ou ainda conta quantos minutos, segundos, milésimos e centésimos demora a chegar. De fato, ele leva uma vida metódica, cheia de regras e com muito, mas muito pouca diversão.
Ao chegar no trabalho, separa tudo conforme as cores: post it's amarelos ficam junto da caneta marca texto da mesma cor, bem como as folhas de ofício ficam junto do calendário da Caixa Federal que em geral tem a mesma cor. Tudo é de uma simetria constante, que a todos irrita, menos a ele mesmo. Até aquele dia a vida dele fora a mesma, sem exceções à regra, sem pormenores, sem entrelinhas, sem nada que fosse interessante. Nada de mais, nada de menos, tudo sincronizado, uma vida regrada, em um mundo desregrado pode ser e geralmente é de uma chatice entediante. Mas ele estava feliz, pois assim ele é, e assim as coisas não podem dar errado em sua vida, pois não há nada que lhe chame atenção, além de seu próprio mundinho. Aqui cabe uma pequena correção no tempo verbal, portanto refarei a frase escrita anteriormente: “...não havia nada que lhe chamasse atenção...”. Nada lhe chamava a atenção até ela aparecer.
Dentro daquela saia apertada, desfilando suavemente, como orvalho em uma manhã de outono, macia, e delicada, com o cabelo liso, preso de forma tão contundente, e ao mesmo tempo tão provocativa. Ninguém poderia resistir, nem mesmo ele, que pela primeira vez na vida, provou o gosto de ser homem, com seus sentidos, e seus desejos. Ele enfim desejou alguém. Desejou-a fervorosamente, e por alguns minutos esqueceu-se de métodos, planos, contagens...esqueceu-se de qualquer coisa que não fosse aquele rosto angelical, e aquele corpo devidamente proporcional. Sim, ele agora tinha um novo motivo pelo qual viver e dedicar-se-ia a ele de forma resoluta e contundente, pois ela significava uma razão pela qual viver. Razão essa que até hoje ele não tivera.
Mudou da água para o vinho. Tornou-se outro homem, um exemplo simples de como uma mulher transforma um ser humano. Comprou roupas de grife, e não saia mais de casa sem borrifar o seu Kouros duas vezes no corpo. Aprendeu sobre vinhos e leu centenas de livros sobre gostos femininos e como encantar a conquistar uma mulher. Cozinhar agora também era um de seus afazeres prediletos. Não que fosse metódico para conquistá-la, mas queria que tudo desse certo, pois ela era o grande amor de sua vida.
Convidou-a para jantar, ele faria a janta, escolheria o vinho e prometeu a ela uma noite inesquecível. Aprendera isso nos livros que leu e havia anotado mentalmente (prometa coisas divinas, instigue a mulher em questão. A faça achar que será tratada como única e especial, e de fato a trate assim. Com isso e um pouco de talento, você deve conquistá-la). Fez isso. A janta foi um sucesso, preparou belos camarões rosa, não sem antes se certificar de que ela gostava de frutos do mar. Escolheu um bom vinho branco para acompanhar o prato, e concedeu-a uma noite singular. Ela fora arrebatada pela sua cordialidade, seu fino trato, sua perspicácia com as palavras. Ele foi um verdadeiro cavalheiro e ela não poderia ir embora sem antes dar-lhe um prêmio por isso. Ela beijou-lhe. Primeiro timidamente, como se tivesse medo que a recíproca não fosse verdadeira. Ela a tomou nos braços, de forma suave no começou. Depois ela beijou-lhe com maior fervor, com mais calor e ele estreitou os braços em torno da cintura dela. Tudo foi ficando quente, e em poucos minutos eles estavam na cama.

Essa história mostra o quanto um homem pode mudar por uma mulher. O quanto um homem pode tornar-se melhor por uma mulher, e o quanto vale a pena mudar por uma mulher...

Ali, na cama, ele beijou o seu pescoço, lambeu-lhe vagarosamente os seios, e passou com as mãos por cada ponto sensível e erógeno do corpo dela. Ele saiu-se verdadeiramente bem e, após entender que a havia conquistado ainda em meio ao calor do sexo bem feito, pensou mentalmente: “depois da penetração, vou pegar firme suas duas mãos, e imobilizá-la, para que veja que estou no comando. Depois disso, vou beijar-lhe a nuca. Contou uma, duas, três vulgares estocadas, e repetiu baixinho no ouvido dela: na quadragésima, eu quero de quatro”.
… um homem pode mudar por uma mulher, mas não se engane companheiro, ou nesse caso, companheira, geralmente, não é para sempre.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

A primeira vez do Jandir

Quinze filhos de umas putas anos. Quinze malditos anos, e nada de sexo na vida do Jandir. Com quinze anos ninguém é mais virgem em todo o mundo, exceto o Jandir. Enquanto seus amigos refestelavam-se com moçoilas das mais variadas etnias, das mais variadas idades, e dos mais variados sabores, Jandir seguia ali, olhando Cine Band Privet, e acariciando-se de forma afoita.

- O Jandir não come ninguém! - debochou um certo dia o Cleiton, que contava vantagem por já ter feito três “vítimas” - como ele gostava de chamar as meninas que levara para a cama. - Fica o dia inteiro no cinco contra um e não sai do lugar.

Sim, é claro que o Jandir era motivo de piada. Ele alegava que não comia ninguém, por que não queria comer qualquer uma como faziam seus amigos, mas a verdade é que tinha medo. Não que fosse feio, ou tivesse um pintinho de nada. A verdade é que apavorava-se sempre que pensava em como começar os trabalhos de “coito” com uma menina. Pensava em como faria para satisfazê-la e pensava como seria se ele frustrasse as expectativas.

Tudo ia mal na vida do Jandir, até ele entrar num chat intitulado: “Sexo para quem ainda não o fez”, e conhecer a Rita Domênica. Conversaram primeiro por horas, depois por dias, e depois por dois meses, até finalmente decidirem que iriam se conhecer pessoalmente.

Depois de tudo combinado, Jandir contou os dias até o tão esperado encontro. Vestiu sua melhor camiseta, botou seu jeans mais novo, seu tênis de molhinhas mais lustroso, e foi encontrar Domênica, no parque central.

Esperou por trinta minutos e ela apareceu. Não, não podia ser ela, não devia ser ela, não queria que fosse ela. Domênica era na verdade e Alice do colégio, a Alicinha que todo mundo já tinha comido, inclusive o Cleiton. Alicinha chegou perto, com seu ar vulgar e intimidou Jandir, quando falou:
- Tu sabia que era eu, seu bobinho?

- N...não, nem imaginava.

- Eu sabia o tempo todo que era tu. Sempre quis ter alguma coisa contigo, seu safadinho.

E assim foi, Jandir levou Alicinha para sua casa que estava vazia a tarde inteira. Beijou-a demoradamente o pescoço, e depois cada parte do seu corpo. Demorada e delicadamente. Até passar as duas mãos, uma por cada lado da cintura dela, nua, e apertar seu corpo contra o dela. Ali em cima da cama da mãe do Jandir, ela a possuiu. Encaixou com perfeição as duas mãos na cintura de Alicinha e repousou apenas as costas dela no colchão. As pernas da presa, quentes e cujos pequenos e loiros pelos eriçavam-se tal qual gato prestes a dar o bote, trançaram a cintura do Jandir, e ele a teve. A teve por longos minutos de forma insaciável e voraz. A teve como jamais algum outro homem um dia a teve. Sentiu seus quadris movendo-se de forma absoluta e determinada.
Jandir sabia que tinha o controle sobre Alice, e percebeu, que enquanto passava resoluto a mão direita pelo seio dela, houve uma contração feroz. Ele a fizera gozar de prazer, e da mesma forma a acompanhou em sua deixa, sentindo-se o maior e mais fogoso amante que a Alicinha já tivera.
Quando ela largou-se na cama, suada e com os seios arrebitados, proferiu:
- Caramba Jandir, que loucura. Não esperava tanto. Da última vez que criei expectativa sobre alguém, foi com o Cleiton e no final, ele e aquele pintinho pequeno e murcho nem sequer funcionaram comigo.
Jandir espreguiçou-se, levantou da cama, olhou-se no espelho com um sorriso doentio. Agora o motivo de piada não era mais ele, e sim o Cleiton com seu pequeno e murcho pinto inútil.

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Ausência

...e foi quando ele acordou. Ainda zonzo da noite anterior, transpirava de forma exagerada. O vazio da cama e o leve relevo dos lençóis ao seu lado, lhe atestavam que era real. Ela se fora, e apenas o cheiro doce, suave como uva verde inundava suas narinas e apoderava-se de suas entranhas, como dela ele se apoderara na noite anterior. Um cheiro, uma voz, um relevo, uma lágrima, uma lembrança. A transpiração volumosa veio junto à febre da ausência sentida.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Nas areias Curumins

Era noite de revellión e como sempre, Armindo ziguezagueava pela areia fria de Curumim. Mais uma vez ele estava embriagado, e carregava a garrafa de champanha, autora de sua alteração, firme junto à mão direita. Há 15 anos era assim, toda virada de ano, Armindo passava ali, na beira da praia de Curumim, em busca de menina loira que há tanto tempo tomara-lhe o coração em uma simples tragada e jogara-o fora, sobrando pouco mais que cinzas do pobre Armindo. Desde então, é tarefa de honra, encontrá-la mais uma vez, nem que seja para que tenham mais uma noite de amor praiano, e possam rolar por mais algum momentos naquela areia gelada, lembrando dos prazeres de outrora.
Ao longe, uma luz bruxuleante move-se com graça, mostrando haver vida inteligente, ou ao menos vida humana naquela faixa de areia, Armindo não está só. Seria ela? Seria a Cibele, aquela moça loura que lhe roubou o coração dando-lhe em troca prazeres carnais inimagináveis? Armindo daria todo seu dedo mindinho da mão direita, desde que pudesse segurar a garrafa de champanha com os outros quatro, para que fosse. Queria do fundo do seu coração encontrá-la lá, e esperava que aquela luz a trouxesse consigo, nua e devastadora.
- Aproxima-te luz! Vem a mim e mostra-te por completo. Se és minha amada então que corra até meus braços e neles permaneça ainda que por um breve instante, pois tenho certeza que em minha memória esse instante terá a duração de uma vida. - sim, o Armindo quando bebia virava um poeta tão distante daquele simples vendedor de carros usados que ele era durante o ano.
A luz aproximou-se, cada vez mais depressa e cresceu. Virou um farol, depois dois, e depois cinco caras montados em uma camionete, e mais duas meninas loiras, mas nenhuma delas lembrava sequer nas madeixas capilares a deslumbrante loira que Armindo possuíra a poucos metros dali há tantos anos.
Passaram por Armindo e riram dele. Riram da desgraça do pobre infeliz, ali do alto da luxúria em que estavam. Quase todos nus, no topo daquela Hilux, achincalharam o miserável Armindo que nada mais queria do que ter de novo Cibele em seus braços. Atiraram cerveja nele, que tal qual um cachorro assustado fugiu para o mar, pronto para dar aquele que seria o último mergulho de sua vida. Correu como um louco corre ao encontro do fim. Como corre aquele que não mais espera da vida o que ela de fato poderia lhe dar. Correu rumando encontrar um desafogo para dor que lhe assolava o peito. E foi.
-Armindo! Não esperei que te veria após tantos anos – gritou uma voz errante, que vinha das profundezas do mar Curumim.
-Cibele, és tu, princesa de minha existência? Dona deste pobre e desgraçado coração?
- Sim, sou eu Armindo, ó poeta do mercado automotor. Ó amante da doce luxúria. Ó tesão de homem com o qual sonhei por todo o sempre.
- Por onde andaste, minha querida, que por toda essa Curumim tenho te procurado desde quando a possuí bem aqui, na beira desta praia?
- Meu querido desgraçado. Comeste-me em Arroio Teixeira, e foi lá que o procurei durante todos esses anos.
E foi ali na areia de Curumim que Armindo possuiu Cibele pela segunda vez. Ou teria sido em Arroio Teixeira? Ah, sei lá. as duas praias são a mesma coisa, e a champanha sempre me exerceu um efeito assustador.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Que vença o melhor


Leio agora, e já estou no segundo livro da série, a saga de Júlio
César. Esse mesmo que tu está pensando, o Júlio César, de Roma,
o Imperador. O livro, cujo nome, que por sinal faz sentido, é “O
Imperador”, e relata a vida de Júlio César e seu “grande
amigo”, Brutus, desde que ambos ainda eram pequenos seres que já
almejam um futuro brilhante nas famosas legiões romanas. O livro é
vivaz. E mais que vivaz, é eloquente, é um livro deveras
encantador, recomendado por um dos grandes mestres atuais da
literatura histórica, Bernard Cornwell, e escrito por outro grande
talento, chamado Conn Igulden.
Quando peguei o livro na mão – o primeiro da série, com o
subtítulo “Os Portões de Roma” - esperava um livro com batalhas
sangrentas, sendo desenhadas por estratégias estarrecedoras,
precedentes à essas mesmas batalhas. Enganei-me. Conheci um livro
muito mais mágico do que isso, um livro que não é apenas um relato
de guerra, é sim, um relato de vida. A vida de um homem vitorioso. É
bem verdade que ainda estou no segundo livro da série que vai até o
quinto livro, ou seja, me faltam mais de três livros ainda, mas
todos sabemos que Júlio César foi um vencedor.
Dentro do livro, como de costume, não é apenas a história
principal que me chama atenção, e sim, algumas abstrações dela.
Alguns pormenores, que a olhos desacostumados poderiam passar por
despercebidos. Esse pormenor, chama-se política, ou ainda, chama-se
corrupção política. Sim!, senhoras e senhores, a corrupção
política já estava incrustada no âmago dos seres humanos viventes
naquela ocasião. Seres humanos esses, claro, poderosos, os
senadores, como eram chamados naquela época, e seguem sendo chamados
até hoje. Eram esses que acumulavam o poder em suas mãos, e em
alguns momentos eram coordenados, por aqueles que tinham um círculo
de “amigos” maior do que o outro. Era simples, aquele que
tivesse mais senadores ao seu lado, e comandasse uma legião mais
numerosa e mais poderosa, concentraria boa parte do poder da nação.
Foi assim com Mário, e foi assim com Sila, dois grandes generais
que comandaram Roma por algum tempo, e o livro fala de ambos. Mário
com carinho, Sila com um desprezo respeitoso.
Lendo esse livro, pego-me pensando como aquela italianada, sentada
com suas túnicas alvas, rodeada por paredes de metros e metros de
comprimento, com os tetos sustentados por grande pilares
arredondados, em uma sala redonda, em formato de funil, decidia o
futuro de todas as coisas de Roma. O futuro da nação mais poderosa
daqueles tempos. E ali, naquele Senado, havia corruptos.
A troca de favores, por exemplo, estava ali, impregnada nas entranhas
do Senado. Lá pelas tantas o livro conta, como três senadores
diferentes puseram um dos personagens no poder, graças a favores
devidos a uma terceira pessoa. Além disso, quanto mais dinheiro se
tinha naquela época, mais poder se tinha também, ou seja, senadores
milionários, detinham boa parte do poder. Sendo assim, quanto mais
dinheiro se tinha, mais fácil era de conseguir os seus objetivos. O
poder era concentrado nas mãos de quem tinha dinheiro, tal qual
acontece hoje em dia. O poder não está com quem luta melhor, ou com
quem tem as melhores ideias, o poder está com quem tem dinheiro para
comprá-lo, e por sucessão, comprar outras pessoas. Pagar a elas
para que comunguem com suas ideias. A fortuna é a maior fonte de
poder desde a Roma antiga, até a Brasília atual.
É por isso, exatamente por isso, que eu defendo um Campeonato
Brasileiro com mata-mata, pois nessa fórmula de pontos corridos, os
privilegiados são os times que tem maior poder econômico, e que
mantém um plantel suficientemente grande para suprir as lesões de
seus principais atletas, ou daqueles que tem dinheiro para ter em seu
elenco grandes fenômenos do futebol mundial.
Esqueceu-se do romantismo. Esqueceu-se daquele jogo onde vencia o
melhor, onde um pequeno time, como Figueirense, Atlético Paranaense,
ou ainda grandes times sem tanto investimento assim, como Grêmio e
Internacional, pudiam vencer. Não vence mais aquele tem mais força,
ou mais talento.
Faço votos para que um novo Júlio César, dessa vez à frente da
CBF, ou do Clube dos 13, apareça e mostre que a vitória vai muito
além do dinheiro, ela deve passar pelo talento, pela inteligência,
e claro, desmentir a ideia de que o dinheiro pode comprar tudo,
inclusive um título do Campeonato Brasileiro.