segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

O Fazedor de Planos

A história de um homem que mudou por uma mulher

Antes mesmo de sair da cama ele já traçava os planos de como seria o seu dia. Mesmo que involuntariamente pensava: “saio da cama, e ainda sonolento vou até o banheiro onde escovarei os meus dentes, lavarei o rosto e resumidamente farei minha higiene pessoal. Depois disso, coloco a roupa que ontem já deixei separada. Ai vem meu café da manhã, que hoje será cereal com bananas. Feito isso, saio rumo ao meu trabalho, hoje vou a pé, pois o dia está bom e, pensando bem, nem é tão longe. Se bem que eu sempre vou a pé. Bom, hoje vou a pé de novo, não quero gastar com transporte...”. Tudo metódico, e as reticências dão lugar a mais centenas de pensamentos que colocam em ordem o dia dele. Nada sem programação, tudo muito bem organizado, que vida ele leva.

Até chegar no trabalho, é tudo igual. Ele conta quantos passos foram dados de um destino ao outro, por vezes variando ao contar o número de janelas nos edifício de cor azul que encontra no caminho, ou ainda conta quantos minutos, segundos, milésimos e centésimos demora a chegar. De fato, ele leva uma vida metódica, cheia de regras e com muito, mas muito pouca diversão.
Ao chegar no trabalho, separa tudo conforme as cores: post it's amarelos ficam junto da caneta marca texto da mesma cor, bem como as folhas de ofício ficam junto do calendário da Caixa Federal que em geral tem a mesma cor. Tudo é de uma simetria constante, que a todos irrita, menos a ele mesmo. Até aquele dia a vida dele fora a mesma, sem exceções à regra, sem pormenores, sem entrelinhas, sem nada que fosse interessante. Nada de mais, nada de menos, tudo sincronizado, uma vida regrada, em um mundo desregrado pode ser e geralmente é de uma chatice entediante. Mas ele estava feliz, pois assim ele é, e assim as coisas não podem dar errado em sua vida, pois não há nada que lhe chame atenção, além de seu próprio mundinho. Aqui cabe uma pequena correção no tempo verbal, portanto refarei a frase escrita anteriormente: “...não havia nada que lhe chamasse atenção...”. Nada lhe chamava a atenção até ela aparecer.
Dentro daquela saia apertada, desfilando suavemente, como orvalho em uma manhã de outono, macia, e delicada, com o cabelo liso, preso de forma tão contundente, e ao mesmo tempo tão provocativa. Ninguém poderia resistir, nem mesmo ele, que pela primeira vez na vida, provou o gosto de ser homem, com seus sentidos, e seus desejos. Ele enfim desejou alguém. Desejou-a fervorosamente, e por alguns minutos esqueceu-se de métodos, planos, contagens...esqueceu-se de qualquer coisa que não fosse aquele rosto angelical, e aquele corpo devidamente proporcional. Sim, ele agora tinha um novo motivo pelo qual viver e dedicar-se-ia a ele de forma resoluta e contundente, pois ela significava uma razão pela qual viver. Razão essa que até hoje ele não tivera.
Mudou da água para o vinho. Tornou-se outro homem, um exemplo simples de como uma mulher transforma um ser humano. Comprou roupas de grife, e não saia mais de casa sem borrifar o seu Kouros duas vezes no corpo. Aprendeu sobre vinhos e leu centenas de livros sobre gostos femininos e como encantar a conquistar uma mulher. Cozinhar agora também era um de seus afazeres prediletos. Não que fosse metódico para conquistá-la, mas queria que tudo desse certo, pois ela era o grande amor de sua vida.
Convidou-a para jantar, ele faria a janta, escolheria o vinho e prometeu a ela uma noite inesquecível. Aprendera isso nos livros que leu e havia anotado mentalmente (prometa coisas divinas, instigue a mulher em questão. A faça achar que será tratada como única e especial, e de fato a trate assim. Com isso e um pouco de talento, você deve conquistá-la). Fez isso. A janta foi um sucesso, preparou belos camarões rosa, não sem antes se certificar de que ela gostava de frutos do mar. Escolheu um bom vinho branco para acompanhar o prato, e concedeu-a uma noite singular. Ela fora arrebatada pela sua cordialidade, seu fino trato, sua perspicácia com as palavras. Ele foi um verdadeiro cavalheiro e ela não poderia ir embora sem antes dar-lhe um prêmio por isso. Ela beijou-lhe. Primeiro timidamente, como se tivesse medo que a recíproca não fosse verdadeira. Ela a tomou nos braços, de forma suave no começou. Depois ela beijou-lhe com maior fervor, com mais calor e ele estreitou os braços em torno da cintura dela. Tudo foi ficando quente, e em poucos minutos eles estavam na cama.

Essa história mostra o quanto um homem pode mudar por uma mulher. O quanto um homem pode tornar-se melhor por uma mulher, e o quanto vale a pena mudar por uma mulher...

Ali, na cama, ele beijou o seu pescoço, lambeu-lhe vagarosamente os seios, e passou com as mãos por cada ponto sensível e erógeno do corpo dela. Ele saiu-se verdadeiramente bem e, após entender que a havia conquistado ainda em meio ao calor do sexo bem feito, pensou mentalmente: “depois da penetração, vou pegar firme suas duas mãos, e imobilizá-la, para que veja que estou no comando. Depois disso, vou beijar-lhe a nuca. Contou uma, duas, três vulgares estocadas, e repetiu baixinho no ouvido dela: na quadragésima, eu quero de quatro”.
… um homem pode mudar por uma mulher, mas não se engane companheiro, ou nesse caso, companheira, geralmente, não é para sempre.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

A primeira vez do Jandir

Quinze filhos de umas putas anos. Quinze malditos anos, e nada de sexo na vida do Jandir. Com quinze anos ninguém é mais virgem em todo o mundo, exceto o Jandir. Enquanto seus amigos refestelavam-se com moçoilas das mais variadas etnias, das mais variadas idades, e dos mais variados sabores, Jandir seguia ali, olhando Cine Band Privet, e acariciando-se de forma afoita.

- O Jandir não come ninguém! - debochou um certo dia o Cleiton, que contava vantagem por já ter feito três “vítimas” - como ele gostava de chamar as meninas que levara para a cama. - Fica o dia inteiro no cinco contra um e não sai do lugar.

Sim, é claro que o Jandir era motivo de piada. Ele alegava que não comia ninguém, por que não queria comer qualquer uma como faziam seus amigos, mas a verdade é que tinha medo. Não que fosse feio, ou tivesse um pintinho de nada. A verdade é que apavorava-se sempre que pensava em como começar os trabalhos de “coito” com uma menina. Pensava em como faria para satisfazê-la e pensava como seria se ele frustrasse as expectativas.

Tudo ia mal na vida do Jandir, até ele entrar num chat intitulado: “Sexo para quem ainda não o fez”, e conhecer a Rita Domênica. Conversaram primeiro por horas, depois por dias, e depois por dois meses, até finalmente decidirem que iriam se conhecer pessoalmente.

Depois de tudo combinado, Jandir contou os dias até o tão esperado encontro. Vestiu sua melhor camiseta, botou seu jeans mais novo, seu tênis de molhinhas mais lustroso, e foi encontrar Domênica, no parque central.

Esperou por trinta minutos e ela apareceu. Não, não podia ser ela, não devia ser ela, não queria que fosse ela. Domênica era na verdade e Alice do colégio, a Alicinha que todo mundo já tinha comido, inclusive o Cleiton. Alicinha chegou perto, com seu ar vulgar e intimidou Jandir, quando falou:
- Tu sabia que era eu, seu bobinho?

- N...não, nem imaginava.

- Eu sabia o tempo todo que era tu. Sempre quis ter alguma coisa contigo, seu safadinho.

E assim foi, Jandir levou Alicinha para sua casa que estava vazia a tarde inteira. Beijou-a demoradamente o pescoço, e depois cada parte do seu corpo. Demorada e delicadamente. Até passar as duas mãos, uma por cada lado da cintura dela, nua, e apertar seu corpo contra o dela. Ali em cima da cama da mãe do Jandir, ela a possuiu. Encaixou com perfeição as duas mãos na cintura de Alicinha e repousou apenas as costas dela no colchão. As pernas da presa, quentes e cujos pequenos e loiros pelos eriçavam-se tal qual gato prestes a dar o bote, trançaram a cintura do Jandir, e ele a teve. A teve por longos minutos de forma insaciável e voraz. A teve como jamais algum outro homem um dia a teve. Sentiu seus quadris movendo-se de forma absoluta e determinada.
Jandir sabia que tinha o controle sobre Alice, e percebeu, que enquanto passava resoluto a mão direita pelo seio dela, houve uma contração feroz. Ele a fizera gozar de prazer, e da mesma forma a acompanhou em sua deixa, sentindo-se o maior e mais fogoso amante que a Alicinha já tivera.
Quando ela largou-se na cama, suada e com os seios arrebitados, proferiu:
- Caramba Jandir, que loucura. Não esperava tanto. Da última vez que criei expectativa sobre alguém, foi com o Cleiton e no final, ele e aquele pintinho pequeno e murcho nem sequer funcionaram comigo.
Jandir espreguiçou-se, levantou da cama, olhou-se no espelho com um sorriso doentio. Agora o motivo de piada não era mais ele, e sim o Cleiton com seu pequeno e murcho pinto inútil.

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Ausência

...e foi quando ele acordou. Ainda zonzo da noite anterior, transpirava de forma exagerada. O vazio da cama e o leve relevo dos lençóis ao seu lado, lhe atestavam que era real. Ela se fora, e apenas o cheiro doce, suave como uva verde inundava suas narinas e apoderava-se de suas entranhas, como dela ele se apoderara na noite anterior. Um cheiro, uma voz, um relevo, uma lágrima, uma lembrança. A transpiração volumosa veio junto à febre da ausência sentida.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Nas areias Curumins

Era noite de revellión e como sempre, Armindo ziguezagueava pela areia fria de Curumim. Mais uma vez ele estava embriagado, e carregava a garrafa de champanha, autora de sua alteração, firme junto à mão direita. Há 15 anos era assim, toda virada de ano, Armindo passava ali, na beira da praia de Curumim, em busca de menina loira que há tanto tempo tomara-lhe o coração em uma simples tragada e jogara-o fora, sobrando pouco mais que cinzas do pobre Armindo. Desde então, é tarefa de honra, encontrá-la mais uma vez, nem que seja para que tenham mais uma noite de amor praiano, e possam rolar por mais algum momentos naquela areia gelada, lembrando dos prazeres de outrora.
Ao longe, uma luz bruxuleante move-se com graça, mostrando haver vida inteligente, ou ao menos vida humana naquela faixa de areia, Armindo não está só. Seria ela? Seria a Cibele, aquela moça loura que lhe roubou o coração dando-lhe em troca prazeres carnais inimagináveis? Armindo daria todo seu dedo mindinho da mão direita, desde que pudesse segurar a garrafa de champanha com os outros quatro, para que fosse. Queria do fundo do seu coração encontrá-la lá, e esperava que aquela luz a trouxesse consigo, nua e devastadora.
- Aproxima-te luz! Vem a mim e mostra-te por completo. Se és minha amada então que corra até meus braços e neles permaneça ainda que por um breve instante, pois tenho certeza que em minha memória esse instante terá a duração de uma vida. - sim, o Armindo quando bebia virava um poeta tão distante daquele simples vendedor de carros usados que ele era durante o ano.
A luz aproximou-se, cada vez mais depressa e cresceu. Virou um farol, depois dois, e depois cinco caras montados em uma camionete, e mais duas meninas loiras, mas nenhuma delas lembrava sequer nas madeixas capilares a deslumbrante loira que Armindo possuíra a poucos metros dali há tantos anos.
Passaram por Armindo e riram dele. Riram da desgraça do pobre infeliz, ali do alto da luxúria em que estavam. Quase todos nus, no topo daquela Hilux, achincalharam o miserável Armindo que nada mais queria do que ter de novo Cibele em seus braços. Atiraram cerveja nele, que tal qual um cachorro assustado fugiu para o mar, pronto para dar aquele que seria o último mergulho de sua vida. Correu como um louco corre ao encontro do fim. Como corre aquele que não mais espera da vida o que ela de fato poderia lhe dar. Correu rumando encontrar um desafogo para dor que lhe assolava o peito. E foi.
-Armindo! Não esperei que te veria após tantos anos – gritou uma voz errante, que vinha das profundezas do mar Curumim.
-Cibele, és tu, princesa de minha existência? Dona deste pobre e desgraçado coração?
- Sim, sou eu Armindo, ó poeta do mercado automotor. Ó amante da doce luxúria. Ó tesão de homem com o qual sonhei por todo o sempre.
- Por onde andaste, minha querida, que por toda essa Curumim tenho te procurado desde quando a possuí bem aqui, na beira desta praia?
- Meu querido desgraçado. Comeste-me em Arroio Teixeira, e foi lá que o procurei durante todos esses anos.
E foi ali na areia de Curumim que Armindo possuiu Cibele pela segunda vez. Ou teria sido em Arroio Teixeira? Ah, sei lá. as duas praias são a mesma coisa, e a champanha sempre me exerceu um efeito assustador.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Que vença o melhor


Leio agora, e já estou no segundo livro da série, a saga de Júlio
César. Esse mesmo que tu está pensando, o Júlio César, de Roma,
o Imperador. O livro, cujo nome, que por sinal faz sentido, é “O
Imperador”, e relata a vida de Júlio César e seu “grande
amigo”, Brutus, desde que ambos ainda eram pequenos seres que já
almejam um futuro brilhante nas famosas legiões romanas. O livro é
vivaz. E mais que vivaz, é eloquente, é um livro deveras
encantador, recomendado por um dos grandes mestres atuais da
literatura histórica, Bernard Cornwell, e escrito por outro grande
talento, chamado Conn Igulden.
Quando peguei o livro na mão – o primeiro da série, com o
subtítulo “Os Portões de Roma” - esperava um livro com batalhas
sangrentas, sendo desenhadas por estratégias estarrecedoras,
precedentes à essas mesmas batalhas. Enganei-me. Conheci um livro
muito mais mágico do que isso, um livro que não é apenas um relato
de guerra, é sim, um relato de vida. A vida de um homem vitorioso. É
bem verdade que ainda estou no segundo livro da série que vai até o
quinto livro, ou seja, me faltam mais de três livros ainda, mas
todos sabemos que Júlio César foi um vencedor.
Dentro do livro, como de costume, não é apenas a história
principal que me chama atenção, e sim, algumas abstrações dela.
Alguns pormenores, que a olhos desacostumados poderiam passar por
despercebidos. Esse pormenor, chama-se política, ou ainda, chama-se
corrupção política. Sim!, senhoras e senhores, a corrupção
política já estava incrustada no âmago dos seres humanos viventes
naquela ocasião. Seres humanos esses, claro, poderosos, os
senadores, como eram chamados naquela época, e seguem sendo chamados
até hoje. Eram esses que acumulavam o poder em suas mãos, e em
alguns momentos eram coordenados, por aqueles que tinham um círculo
de “amigos” maior do que o outro. Era simples, aquele que
tivesse mais senadores ao seu lado, e comandasse uma legião mais
numerosa e mais poderosa, concentraria boa parte do poder da nação.
Foi assim com Mário, e foi assim com Sila, dois grandes generais
que comandaram Roma por algum tempo, e o livro fala de ambos. Mário
com carinho, Sila com um desprezo respeitoso.
Lendo esse livro, pego-me pensando como aquela italianada, sentada
com suas túnicas alvas, rodeada por paredes de metros e metros de
comprimento, com os tetos sustentados por grande pilares
arredondados, em uma sala redonda, em formato de funil, decidia o
futuro de todas as coisas de Roma. O futuro da nação mais poderosa
daqueles tempos. E ali, naquele Senado, havia corruptos.
A troca de favores, por exemplo, estava ali, impregnada nas entranhas
do Senado. Lá pelas tantas o livro conta, como três senadores
diferentes puseram um dos personagens no poder, graças a favores
devidos a uma terceira pessoa. Além disso, quanto mais dinheiro se
tinha naquela época, mais poder se tinha também, ou seja, senadores
milionários, detinham boa parte do poder. Sendo assim, quanto mais
dinheiro se tinha, mais fácil era de conseguir os seus objetivos. O
poder era concentrado nas mãos de quem tinha dinheiro, tal qual
acontece hoje em dia. O poder não está com quem luta melhor, ou com
quem tem as melhores ideias, o poder está com quem tem dinheiro para
comprá-lo, e por sucessão, comprar outras pessoas. Pagar a elas
para que comunguem com suas ideias. A fortuna é a maior fonte de
poder desde a Roma antiga, até a Brasília atual.
É por isso, exatamente por isso, que eu defendo um Campeonato
Brasileiro com mata-mata, pois nessa fórmula de pontos corridos, os
privilegiados são os times que tem maior poder econômico, e que
mantém um plantel suficientemente grande para suprir as lesões de
seus principais atletas, ou daqueles que tem dinheiro para ter em seu
elenco grandes fenômenos do futebol mundial.
Esqueceu-se do romantismo. Esqueceu-se daquele jogo onde vencia o
melhor, onde um pequeno time, como Figueirense, Atlético Paranaense,
ou ainda grandes times sem tanto investimento assim, como Grêmio e
Internacional, pudiam vencer. Não vence mais aquele tem mais força,
ou mais talento.
Faço votos para que um novo Júlio César, dessa vez à frente da
CBF, ou do Clube dos 13, apareça e mostre que a vitória vai muito
além do dinheiro, ela deve passar pelo talento, pela inteligência,
e claro, desmentir a ideia de que o dinheiro pode comprar tudo,
inclusive um título do Campeonato Brasileiro.

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Alô! Tem alguém ai?

Há déficit de atenção no mundo todo e em todo mundo.

Meu blog já foi, noutros tempos, habitado por alguns leitores que não me
deixavam na mão em todos os textos que aqui eram postados, e
comentavam, debatiam, xingavam ou sorriam...nada mais é. Foi
esquecido e está obsoleto nessa variável tão sacripantas e
safardana chamada tempo. Texto são ideias compartilhadas, e se não
são lidos, de nada adiantam.

Visto por esse lado, lanço aqui um desafio. Enquanto não houver ao menos
cinco comentários aqui, não voltarei a escrever. Assim será ao
longo de dois meses inteiros. Sem comentários, sem textos, e
entenderei desta forma, das duas, uma coisa: ou de fato o que tenho a
dizer não interessa a mais ninguém além de mim, e aí nem vale a
pena colocar para fora em forma de texto, ou ainda há pessoas nesse
mundo online que dão atenção ao que eu falo, e isso me fará uma
pessoa extremamente feliz, por que em um mundo com déficit de
atenção, conseguir fazer alguém prestar atenção no que tu diz, é
algo louvável, companheiro.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Tele-entrega



Sempre há uma mulher. Inegavelmente, sempre há uma mulher. Qualquer história contada, e que, por ventura, se preze, deve no mínimo conter seis pares: um de peitos, um de coxas e outro de nádegas. Na grande maioria das vezes, a mulher envolvida na história é exuberante, e nessa história não será diferente, há uma mulher. Digo mais, há uma bela mulher, e que como toda bela mulher, será responsável pela derrota de um ou outro portador de bagos. É assim, mulheres podem nos levar ao sucesso e ao fracasso em um simples rebolar. (autor desconhecido)

- Capítulo primeiro -
Os primeiros passos de um negócio arriscado


- Um puteiro! Essa é a ideia. Há tantas e tantas belas mulheres dispostas a ganhar quinhentinhos em tão pouco tempo. Uma hora, uma dança, uma transa. Não mais do que isso. Quinhentos pra ela, dez por centro pra nós. O que acham? - começou o Preto, logo após molhar suavemente os lábios no copo com dois dedos de uísque e uma só pedra de gelo.
- Arriscado – sibilou o Freitas logo de cara – me parece muito arriscado. O que falarão de nós? Que somos putanheiros, e que temos nosso sustento no sexo.
- É provável que digam, muito embora, todos os homens e um punhado de mulheres sejam sempre guiados pelo sexo, seremos taxados dessa forma – avaliou sobriamente, como sempre, o Dimitri.

Ali, na mesa descascada de lata vermelha, com o emblema da Brahma, do bar onde sempre se reuniram, na pequena cidade de Azul Anis, os três amigos, verdes no ramo empresarial, davam as primeiras cartadas almejando encontrar o sucesso profissional e financeiro.

- E se fossem acompanhantes? - sugeriu o Preto.
- Acompanhante, não dá. A cidade é muito pequena- remendou Freitas.
- E se fizermos só “tele-entrega” de profissionais do sexo? - finalizou mais uma vez sabiamente o Dimitri.
Assim que Dimitri proferiu a última frase, analisou os olhos estalados dos amigos, e entendeu que havia dado a ideia final. A ideia que seria seguida a risca por seus companheiros do novo empreendimento.
E foi o que aconteceu. Os três terminaram os últimos goles, cada qual em seu próprio copo de uísque, e definiram. A manhã do dia seguinte seria quando rumariam ao banco para pedir um empréstimo, em seguida, iriam à capital, prometendo mundos e fundos, para uma ou outra moça que encontrassem em uma casa de sacanagem de alguma certa qualidade.

O banco foi sensível. Mais especificamente, o Cleiton do banco, que todos diziam ter a mulher mais feia e mais rica de toda a Azul Anis, foi sensível com a causa dos nobres garotos, e lhes concedeu um gordo empréstimo, ao saber do destino daquele dinheiro.

- Não me gasta a guria de começo, que eu quero ser o desvirginador dela aqui em Azul Anis – declarou com seus óculos meia lua, pendurados na ponta do nariz, e olhando por cima deles a cada um dos três rapazes, enquanto os jovens assinavam toda a papelada.
- Sempre que quiser, terás uma bela noite, Sr. Cleiton, e a primeira por nossa conta – respondeu-lhe o Freitas.

Naquela tarde o dinheiro já estava na conta, e dentro do corsinha do Preto, os três rumavam para a capital do Estado.
Foi lá que conheceram Laurinha, e o desastre começou.

Continua...