sexta-feira, 9 de abril de 2010

Paredes jamais falarão

Falassem as paredes eu não mais teria juízo. Falassem como falam as pessoas a desgraça total chegaria. Dissessem metade do que sabem não mais seriam paredes e fofoqueiras seria seu nome.
Paredes sabem, elas veem. Não falam. Nunca falarão, não enquanto eu viver. Apenas o que me guia é minha consciência, não as paredes.
O que gosto nelas e quando digo nelas me refiro às paredes, é que permanecem estáticas em meio a tudo. Não se mexem e nem respiram, mesmo vendo - e elas veem, - as cenas mais sórdidas e mais sacanas que alguém pode ver. Portanto, sabe-se que paredes não falam e jamais falarão.
Ninguém que saiba tantos segredos os manteria tanto tempo como os são, ou seja, sendo segredos. Lá em casa mesmo, meu amigo, se as paredes falassem, é provável que eu já estaria preso.
Embora coisas que supostamente só as paredes sabem, vez que outra perdem-se em meio às bocas populares. Isso sim é coisa que não explico. Aliás, nem eu...nem as paredes.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

A Fogosa Alessandra (Maria Helena)

Parte três

Fosse o que fosse, aquele não poderia ser chamado de um dia normal. É bem verdade que começou normalmente, mas o Armando pressentia o ataque, sabia que o destino preparava-lhe uma cilada. Seu sexto sentido nunca o deixara na mão e não seria diferente desta vez. Só esperava saber de que lado vinha o golpe. E ele veio do lado mais surreal, mais inesperado, do lado que Armando jamais poderia imaginar. Veio do lado moreno, doce e cândido, do lado angelical, veio de Alessandra.

-Armandinho! Lembra aquela noite em que fizemos loucuras com o segurança do condomínio,o Sidi? Aquele afro descenden“tesão”, que você mesmo apelidou assim? - perguntou descaradamente sarcástica a Alessandra.
-Hã... lembro sim, meu amor, mas poderíamos deixar essa história pra lá, né? Faço tudo por ti, mas aquela foi uma exceção, e o Sidi de fato era excedido em tudo , né amor.
-Ah pois é. Pois então vou deixar uma coisa bem clara pra ti. Fiz dezenas de fotos tuas com ele. Dezenas. Ou seja, tenho provas irrefutáveis de que o garanhão de empresa é de fato um homossexual enrustido.
- O que tu quer dizer, Lele? Tu não faria isso. Jamais mostraria fotos minhas nessa situação. Só fiz o que fiz pra te agradar.
-Meu querido, vamos a uma breve regressão no tempo; lembra em meados de 98, eu tinha 17 anos tu estava se formando na universidade e eu acabava de ingressar no me curso.
- Não lembro de ter conhecido qualquer Alessandra que fosse.
- O nome Maria Helena te diz algo?

Armando empalideceu. Sim o nome dizia algo, aliás, o nome dizia tudo, tudo o que ele não queria lembrar. A voz de Armando engasgou. Estagnou no movimento que iniciaria e feito uma estátua derrubada pela força de um furacão, tombou. Desacordado, com o coração saltando-lhe pela boca.
Acordou no hospital, zonzo, porém, quando a memória lhe fez questão de tornar as coisas piores do que já estavam, lembrou-se do acontecido. “Não é possível. Maria Helena! O que farei? É o fim da minha vida sexual”, pensou.

O que terá Armando feito à pobre Maria Helena para que a vingança da moça seja tão arrebatadora? Terá Sidi, se apaixonado por Armando? Descubra tudo no próximo capítulo de : “A Fogosa Alessandra”.

segunda-feira, 29 de março de 2010

A Fogosa Alessandra

Parte dois

A aspereza de uma relação inóspita e agressiva que tinham na cama, não condizia com o cotidiano de flores e romantismo que o mais novo e cobiçado casal da empresa mantinha além das quatro paredes e após uma noite de luxúria libidinosa.
Armando era um conquistador que fora conquistado. Isso era tão inegável que nem o próprio conseguia negar.

- Tu ta apaixonado, Armando! - declarava o Eliseu quando passava pela sala do colega de trabalho e o via com a mesma cara de paisagem que já lhe estampava a face há algumas semanas, observando a tela do computador, na qual Eliseu sabia estar a foto de Alessandra. Eliseu sabia, todos sabiam. Alessandra ocupava o pensamento de Armando 24 horas por dia.
- Oi?! Pois não – respondia o sobressaltado Armando, após voltar a realidade, embora soubesse que a sua realidade naquele momento era morena, tinha a pele macia e tinha as coxas mais coxas que o Armando já vira. Atendia também pelo nome de Alessandra.


O Armando mordera a isca a Alessandra sabia disso. O infeliz sofreria na mão dela, esse era o objetivo. A paixão que despertara no pobre homem tinha uma finalidade. Ou melhor há tempos teve seu princípio, agora estava em seu meio, e muito em breve chegaria ao seu final. “Ou isso, ou não me chamo, Maria Helena Santana”, dizia ela em pensamento.


O que trama Alessandra, aliás, o nome nem é Alessandra e sim Maria Helena. O que trama Maria Helena? E por que diz se chamar Alessandra? Que fim aguarda o pobre a putanheiro Armando?
Descubra em breve, no próximo episódio de: “A Fogosa Alessandra”.

segunda-feira, 22 de março de 2010

A fogosa Alessandra

...quando se encontravam havia sempre um olhar despudorado, carnal. Era como se despertasse em cada um dos dois o erotismo americano. Como se acendesse nos interior deles a chama do sexo sádico.

“O ápice da vida de um homem é satisfazer-se com uma só mulher. Enquanto eu não acho essa mulher, sigo com outras e vivendo a instabilidade de uma vida masculina”, era o que dizia o Armando sempre que alguém perguntasse se ele não pensava em constituir família. “Não é possível que eu tenha de privar as outras mulheres de um talento que tenho. Seria muito egoísmo de minha parte, prefiro ser um altruísta”, ainda completava.
De fato Armando vivia a forra com diversos tipos de mulheres. Em sua cama era um festival de fios de cabelo; loiro, preto, castanho claro, castanho escuro, ruivo, vermelho, diziam que até madeixas de cor lilás se abateram sobre o lençol branco do rapaz, ao que ele apenas respondia: “essas emos, nunca mais!”.
Armando tinha um vida desregrada, mas ainda assim era um exemplo de virilidade e boa conduta. Não deixava um amigo na mão e ainda bradava, “se não der mais conta da tua mulher, manda pra mim que eu trato bem”. E fizera questão de ajudar um punhado de amigos cujas mulheres se diziam insatisfeitas. Dizia sempre que o remédio que ele tinha para problemas conjugais era tiro e queda, mais tiro do que queda, ou vice-versa.
Acontece que em uma ocasião alheia à qualquer outra, apareceu um anjo em sua vida. Morena, pele macia, as coxas mais coxas que o Armando tinha visto (e não foram poucas que ele vira). Tudo nela era alvo do tesão mais obsceno que Armando experimentara na vida.
Alessandra era o nome. A-les-san-dra, ele pronunciava devagar, sempre que ela resolvia dar o ar de sua graça. Saboreava cada vogal, cada consoante, cada sílaba, que aquele nome possuía. Até o nome era gostoso de se sentir. Sentia-se tentado. Alessandra era uma espécie de bibelô viciante que Armando tinha adquirido.
Alessandra era a nova relações públicas de empresa e fazia questão de mostrar o quanto era articulada, e o quando seu cargo combinava com ela. Mostrava-se suave no trato com todos, mas principalmente com os homens. Parecia conhecê-los como a palma da mão. Encantava como fosse uma feiticeira. Uma encantadora de homens. Todos diziam: “Alessandra é mulher como não se faz mais”.
Alessandra era mulher como não se fazia mais, de fato. Tinha um “quê” especial, a Alessandra. Quiçá fosse a personalidade forte, aguçada. Mas poucos sabiam que Alessandra estava ali com um simples objetivo, destruir a vida do Armando. Involuntariamente, claro, mas era esse seu destino.
Armando sabia que estava apaixonado, e Alessandra sabia que ele estava apaixonado. Resolveu então mostrar pra ele tudo o que ele precisava saber.
Antes que Alessandra pudesse pensar em alguma atitude, o primeiro bilhete chegou, entregue pelo office boy:

Tudo em ti me fascina. És o sol que está a iluminar minha semana sombria.
Ass: A


Os bilhetes foram chegando diariamente, e Alessandra já descobrira quem era o autor dos feitos.
Certo dia, Alessandra apareceu com seu andar serelepe e o jeitinho fascinante na sala de Armando, que era o gerente de RH da empresa. Olhou-o nos olhos e disse:
-Eu sei.
-Sabe o que?
- O que tu quer comigo.
- Sabe?
- Sim, quer só me comer.
- O que é isso, dona Alessandra.
- Admita. Tu olha pra mim, e pensa em sexo.
- Eu não admito que fale assim comigo.
- Não, admite? Pois agora eu quero que me coma.
- Não farei isso... está bem, eu como.
- Come mesmo?
- Como.
- Viu?! Falei que tu só queria me comer.
- Mas eu não quero. Ia comer só por que tu tava pedindo.
-Ah sim, agora eu sou oferecida.
-Não é isso. Mas tu pediu.
Alessandra pulou no colo de Armando e ali os dois se amaram, fervorosa e alucinantemente. Desde aquele dia, quando se encontravam havia sempre um olhar despudorado, carnal. Era como se despertasse em cada um dos dois o erotismo americano. Como se acendesse nos interior deles a chama do sexo sádico.

Continua...

segunda-feira, 8 de março de 2010

Quem entende?

A Guerra dos Farrapos teve como personagem principal Bento Gonçalves. Não sou um profundo entendedor do assunto, porém, gosto e tenho algum pouco embasamento para comentar sobre. Bento era um revolucionário que segundo alguns não acreditava na revolução. Muitas teorias – e há teoria sobre tudo, chego a pensar que algumas pessoas dizem que o bolo de chocolate é feito com baunilha – dizem que Bento era um capitalista, mesmo naquela época. Dizem que o interesse era todo monetário e que não tinha nada de “sangue gaúcho nos olhos”.

Não acredito nisso, vou morrer acreditando que Bento era um lutador, um guerreiro e alguém que deixou herança e legado a todo o povo do sul. Somos lembrados como rudes por uma justa causa. Ninguém fez o que fizemos, ninguém teimou contra um império, ninguém lutou contra milhões com mil. Esse é o sul. É o sul que perdeu no último sábado, um de seus maiores compositores, o tradicionalista, Leonardo.

Que escutem: “é o meu Rio Grande do Sul, céu, sol, sul, terra e cor. Onde tudo que se planta cresce e o que mais floresce é o amor”, e lembrem-se de Bento Gonçalves e de Leonardo. Mas não se esqueçam que mais gente está por trás disso. Anita Garibaldi, por exemplo.

Anita não está por trás de conspirações nem teorias. É unanime, foi uma guerreira. A mulher por trás dos homens – mais por trás de Josepi Garbiladi que dos outros -, mas uma nobre de alma e uma selvagem de coração.

Reza a lenda que mulheres estiveram por trás de inúmeras guerras e conflitos. Há teorias – o chocolate e a baunilha – dizendo que em quase 100% das guerras houve participação de mulheres. Em algumas épocas, era comum que elas se travestissem de homens e enfrentassem de igual para igual os munidos de testículos. Com uma vantagem que tinham, ninguém as entende.

Já tentei entender mulheres, mas a única coisa que entendi tentando entende-las, é que não há como. É impossível saber quando uma mulher está satisfeita – sim, incluo o sexo nessa história – e é mais impossível ainda saber se está agradando-a. Nós homens, somos menos exigentes, nos basta cerveja, sexo e futebol e estamos felizes. Mulher não. Pra elas tudo sempre poderia ser melhor.

Se tomamos cerveja, poderia ser champagne, se damos chocolate de presente, poderia ser um urso de pelúcia. Se damos carinho, preferem os cretinos, se somos cretinos, gostam de carinho. Não entendo e já parei de tentar entender.

O que é certo é que nós (homens) não vivemos sem elas. Não nasceríamos sem elas, e não teríamos nada não fossem elas. Algumas delas já me fisgaram. Outra já reclamaram de mim. Algumas até já se apaixonaram por mim, mas tenho a plena convicção que para elas, eu sempre poderia ter sido melhor. Talvez devesse ter sido melhor. Ou talvez devesse ter sido diferente. Quem sabe as mulheres nunca estão satisfeitas por que nós nunca estamos a altura delas. Há de se pensar nisso.

O que há de mais concreto é que há um dia específico para mulher, quando todos sabemos que todos os dias são delas. Feliz Dia Internacional da Mulher, não as entendo, mas as parabenizo da mesma forma. Quem sabe no dia que entendermos as mulheres, entenderemos também a titularidade do Ferdinando no Grêmio e a não convocação do Ronaldinho Gaúcho na Seleção.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Da série: Trovas inoportunas e cortes homéricos

Vermelho do sol

Se ele fosse um turista qualquer ela nem o teria reparado. Mas era o turista mais branco e com os pés mais vermelhos do sol que ela já havia visto.

Se ela não fosse tão morena, ele nem a teria reparado. Se não tivesse aquelas coxas também, se a bunda fosse um pouco menor e com mais celulites, se os seios fossem menos rijos e redondos, se o rosto não fosse desenhado e os olhos azuis não contrastassem com o bronze ele nem a teria notado. Se aquele cabelo loiro dourado não fosse tão ondulado e se o vento não os deixassem esvoaçantes e ainda mais brilhosos ele nem saberia que existia e não teria ido falar com ela. Porém, era assim e foi.

-Tem uma coisa que eu preciso te dizer – falou.
- É mesmo?

Ai Deus, se a voz também não fosse tão rouca e sexy não teria ficado tão excitado e nervoso.

-É, eu queria dizer que tu é uma baita de uma gostosa, que combinaria muito bem na minha cama.

Ela sorriu, jogou a cabeça para trás para que o cabelo ajeita-se à fronte e respondeu:

- Eu também tenho algo a lhe dizer. Algo que desde o primeiro momento que o vi me tomou por completo. Algo tão diferente, mas tão diferente que me arrebatou de tal forma que eu não conseguirei passar mais um minuto sem dizer. Preciso desabafar.

- Pois diga, querida, diga tudo o que aperta são coração.

- Vou dizer, preciso dizer, é mais forte do que eu.

- Diga, vai.

- Nos pés também se passa protetor solar, seu tonto.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Jah RastafarI

Retorno das férias com um ar encantando, um “quê” desmiolado, e um tanto quanto desnorteado com a Babilônia interiorana que tomo de volta. É claro que não queria voltar. A praia me parece tão mais simpática que a Serra. Me parece tão mais envolvente ou como diriam as novas línguas; mais tendência. Não queria voltar, mas voltei.
Enquanto eu andava na areia fofa, acompanhado do mar, que seguia-me retilíneo durante todo e qualquer percurso explanei sobre algumas ideias, as mais fundamentais delas se davam em realizar algo com o que sempre sonhei e outrora cheguei a explicitar aqui. Tomei uma decisão, aliás, tomei duas decisões na praia. A primeira delas se deu em realizar esse meu antigo sonho.
Peguei meus fones, ao som de um reggae e subi um morro, tal qual escrevi no texto “Água na Boca” (disponível nesse mesmo blog há cerca de um ano). Derivei um pouco de minha escolha escrita tantos meses atrás, e subi um morro o qual o mar também ladeava. Ou seja, eu tinha um morro, as rochas, um reggae, o sol e o mar.
O cansaço da subida pouco me atingiu quando alcancei o topo e sentei-me sobre uma rocha enorme, e ali fiquei, mais de uma hora, e quando atentei-me ao som de um reggae que me dizia:
Quero estar a todo instante
Em teu calor contagiante
Pé na areia, água-viva
Esse mar é energia

Coração fica gigante
Paisagem estonteante
Cheiro de flor, alegria
Mil sorrisos, pura vida

Pensamentos tão distantes
Lindos olhos de brilhante
Colorida luz do dia
Seja como for, seja aonde for

É tanta paz que dá vontade de cantar
É tanto amor que dá vontade de voar
É isso tudo que devemos preservar
Por favor faça agora, não é tempo de esperar...

Anda na pedra, corre pro oceano
Pérola do Sol, te amo
Anda na pedra, corre pro oceano
Pérola do Sol, te amo
Anda na pedra, corre pro oceano
Pérola do Sol, te amo
Anda na pedra, corre pro oceano
Pérola do Sol, te amo

entendi que a vida tem um significado tão grande em um contexto que inclui a felicidade em coisas tão pequenas.
Não que eu tenha aderido ao budismo ou ao rastafari, porém, voltei das belas praias catarinenses com um sentimento novo, me parece que a liberdade. Talvez eu tenha entendido o real significado da palavra felicidade. Voltei outro, isso é o importante.
Enquanto lá estava pedi aos céus, a Jah, a Deus, a Budha, a Alá, enfim pedi a quem pudesse me atender que me trouxesse a felicidade nesse novo ano. Sinais desse fevereiro me levam a crer que fui atendido e espero que continue sendo durante muito tempo.
Voltei a Gramado e fiz questão de desenredar a segunda ideia que desenvolvi na praia, enquanto comia um belo peixe na beira do mar de Laguna, decidi-me: “farei uma tatuagem que me atrairá mais coisas boas”. A fiz e espero e aguardo mais e mais vibrações positivas, pois como todos sabemos: positividade atrai positividade, que atrai positividade, que atrai...